15/05/2011

O futuro de um mundo em transformação

Olá amigos,

como um interessado nas relações entre cidades, governo e economia, venho acompanhando os diversos projetos tecnológicos voltados para um novo tema: The Smarter Cities.

Esse nome envolve desde a nova rede de identificação civil da India à Gestão da Água em Singapura. Pelo pouco que eu sei, a IBM está saindo na frente, e é justamente de seu site que eu trouxe duas apresentações interessantíssimas:


Smarter Cities: www.ibm.com/smartercity/br

O primeiro fala sobre os desafios dos Governos frente à seis mudanças estruturais de caráter mundial do século 21, relacionando suas respostas às ideias da "Smarter City". O segundo fala, de forma geral, sobre as possíveis aplicações deste conceito em uma cidade e a maneira como isso é realizado. Está em inglês, mas vale o trabalho.

09/05/2011

Telhado com goteira se conserta é em dia de sol!

O Manhattan Connection (Globonews) de ontem contou com a participação de um especialista em Sistema Público de Saúde. A sua fala me chamou a atenção por reclamar do subfinanciamento do SUS e torcer pela aprovação da regulamentação da Emenda 29. Não, eu não sou contra o SUS. Mas essa regulamentação implica na divisão compulsória de 10% das receitas federais para a Saúde, o que aumentaria em R$ 32 bilhões o orçamento do setor. Ora, será que as Contas Públicas estão prontas para remanejar esses valores sem aumento dos impostos?

Infelizmente, não. No Brasil, a reserva de receita para despesas específicas, como Saúde e Educação, apesar de louváveis, acabam causando problemas. Imobilidade orçamentária, aliada à má-gestão pública, gera uma camisa-de-força na hora de tocar projetos e despesas. E a solução para isso tem sido sempre através de "puxadinhos" no lado das receitas, via elevação da carga tributária (crescente desde a redemocratização).

Isso dito, posso entrar no coração desta questão: a necessidade de uma reforma tributária. Esses gastos são benvindos e necessários, mas não podem ser financiados na lógica que o são hoje!

Vejam exemplos de danos colaterais:
1. O alto custo da energia elétrica, 50% desse valor em impostos, já está empurrando fábricas de alumínio, celulose e petroquímica para outros países da América do Sul;
2. A cobrança excessiva de tributos sobre a folha de pagamentos é considerada um empecilho à contratação de empregados, motivo pelo qual a União vem debatendo internamente meios de alterá-la;
3. A babel tributária é considerada o pior dos infernos pelos empresários, que gastam com advogados e contadores um valor imenso em comparação com os tributos pagos.

O Movimento Brasil Eficiente (www.brasileficiente.org.br) tem defendido uma reforma tributária interessante, cujo mote principal é a simplificação. Inicialmente não haveria redistribuição do bolo nem redução dos impostos, atualmente os principais nós para um acordo. O prof. Paulo Rabello de Castro afirma que, com o fim dessa "favela tributária", já seria mais simples dar prosseguimento à reforma da gestão pública e obter maior transparência. Uma segunda consequência seria a discussão mais ampla sobre o tamanho da carga tributária e talvez sobre a divisão de recursos entre os entes federativos.

O período atual, de crescimento econômico, é o melhor hora para mudanças. Exatamente como diz o ditado no título. Visite o site deles e conheça a proposta. É simples, mas ousada. E pode ajudar muito no financiamento das imensas responsabilidades públicas sem sobrecarregar o contribuinte, ou melhor, a nós, os pagadores de impostos.

03/05/2011

Bush & Saddan x Obama & Osama

Nesta semana, vivenciamos um fato de suma importância: A morte de Bin Laden. No Brasil, muitos duvidam sobre a morte do terrorista. Faço minha análise, comparação e reflexão:


1) Duvidar de sua morte é uma estupidez. Os Democratas não correriam o risco de anunciar o fim do terrorista, e, dias ou meses depois, o criminoso aparecer em vídeos fazendo ameaças.


2) É perfeitamente compreensível a não-divulgação de fotos e vídeos do cadáver, além de não sepultá-lo. Tais ações poderiam soar como uma provocação aos fanáticos terroristas, e, quero lembrar aqui que os muçulmanos condenam fortemente a "exposição da figura humana" de forma "depreciativa". Além disso, um túmulo, no Oriente Médio poderia servir de peregrinação e mistificação de um "mártir".


3) Assim como Saddan Hussein foi capturado em 2003 (eleições presidenciais em 2004) e Bin Laden é morto em 2011 (eleições presidenciais em 2012), é difícil não acreditar que a CIA já conhecia o paradeiro de ambos muito antes de capturarem. A captura/morte destes inimigos capitais foram efetuadas em tempo conveniente a interesses eleitoreiros.


4) No bairro em que eu morava, havia um dono de bar que sabia de tudo e de todos. Mulheres que traíam maridos, indivíduos que usavam drogas, etc. É muito difícil de acreditar que ninguém no povoado e na base militar paquistanesa sabia da presença de uma ilustre e odiada figura internacional em uma casa esquisita. Os americanos, que "invadiram" o território paquistanês para realizar a operação, tentam por "panos quentes", dizendo que o Paquistão sempre colaborou com as investigações e operações. Já os europeus, que não tem nada a ver com isso, dizem, sem medo, a provável verdade: O Paquistão escondia escondia o terrorista.


5) Assim como El Cid, depois de morto, venceu uma batalha contra os mouros na Espanha medieval, Bin Laden pode ser mais perigoso morto do que vivo. Obviamente, seus pupilos planejarão vingança. Não hoje, não amanhã; Estes terroristas loucos e doentes não são imediatistas. Eles não pensam em maximização de utilidade do consumidor; Eles não pensam em nível ótimo de produção e lucros máximos; Eles desejam a benção de Allah, Maomé e a vida eterna no paraíso, com um harém de 80 virgens.


6) Para quem gosta de "exoterismo": Nostradamus descreveu o primeiro (Napoleão) e o segundo (Hitler) anti-cristo com detalhes que se confirmaram. Segundo o mesmo, haverá um terceiro, nascido na Ásia, adúltero e SUA MORTE CAUSARÁ GUERRA E DESTRUIÇÃO. Será?


Ficamos no aguardo dos próximos capítulos (Espero que sejam pacíficos).

02/05/2011

Que primavera nada... O nome certo é Tempestade árabe!

Depois de um mês sumido, apenas assistindo às oscilações de nossa política monetária e às mudanças governamentais de rota nos Correios e Infraero, estou de volta. O noticiário desse fim de semana foi bombástico demais para um cristão árabe, economista e liberal como eu dormir calado! O caçula do Khadafi bombardeado, Osama capturado, Síria sob protestos, atentados no Marrocos, Transição no Iêmen e Acordo na Palestina: Como os jornalistas tem coragem de reunir isso tudo em um pacote chamado "Primavera Árabe"? Primavera é o casamento real na Inglaterra, o que está ocorrendo no mundo árabe é uma tempestade sem fins previsíveis.

Eu nunca acreditei naquele papo de que democracia não serve para o mundo árabe, e, comparando à realidade latinoamericana (confusão entre nacionalismo e socialismo), acabei caminhando em outra direção: Os nacionalistas árabes, em sua luta contra o Imperialismo ocidental, acabaram encurralados entre dois caminhos - o Socialismo e a Teocracia (islâmica).

A busca pela tradição e a fé, a divisão da região em diversos países, além do conflito com Israel, acabou contribuindo para a decadência das cidades cosmopolitas árabes e suas minorias cristãs, armênias e judias (tema de post no blog do Gustavo Chacra). Pobres, menos diversas, mais conservadoras e em estado de guerra, essas nações só poderiam caminhar para revoluções.

E foi o que acabou acontecendo: Tanto a teocracia quanto o Socialismo (Nasser à frente) tinham viés autoritário. Essa visão esquerdista que deu origem às ramificações do Partido Baath no Iraque e na Síria, além do PND no Egito, foram derrotadas pela realidade pós-URSS e a corrupção. Não demorou muito tempo para estes Estados se realinharem aos EUA ou pelo menos se acomodarem na nova realidade.

Eis que surge o Irã teocrático e o Hezbollah libanês: O que se viu nos últimos anos foi uma substituição da guerra fria ideológica por uma Guerra Fria religiosa. Agora se divide essa região assim: árabes X judeus; sunitas X xiitas (Irã); Radicais X EUA.

Os partidos islâmicos, com seu histórico de fé, honestidade e sentimento anti-americano, foram crescendo na preferência desse eleitorado cada vez mais conservador e empobrecido. Movimento que envolve e aterroriza não só o Ocidente, mas também as elites e classes médias de viés secular.

O Tony Blair deu entrevista ao Globo em que defende a invasão do Iraque como o melhor para o país (alega que eles atenderam ao clamor por liberdade e desenvolvimento), além de ressaltar os riscos do radicalismo religioso e da inimizade étnica para o futuro de qualquer democracia na região. Nem todo o mundo árabe pode ser comparado ao Egito e à Tunísia.

Com o Obama indo ao ar para anunciar o assassinato e captura do corpo de Osama Bin Laden, novas dúvidas nascem sobre o futuro da Al-Qaeda e de suas filiais no Iraque e Iêmen. A Síria está cada vez mais instável, e isso interfere no equilíbrio de poder entre Israel e Irã. As incertezas no Iêmen e no Bahrein lançam dúvidas sobre as divisões religiosas em território saudita, cujas minorias religiosas são majoritárias nas províncias petrolíferas. O Hezbollah agora controla o governo no Líbano, equilibrando-se na corda bamba sectária que já levou a graves conflitos no passado.

Amigos, estamos em tempos nos quais tudo que é solido (e podre) se desmancha no ar. As volúveis e instáveis areias dos desertos ao sul e leste do mediterrâneo estão apenas começando a se movimentar. O que, venhamos e convenhamos, se parece mais com o prenúncio de uma terrível tempestade do que com a perfumada e doce chegada da primavera.

02/04/2011

Racismo e Liberalismo Econômico

Amigos, nesta semana, iniciou-se um intenso debate, ou melhor, confronto mesmo, envolvendo racismo e homossexualidade. A entrevista do deputado Jair Bolssonaro, feita por Preta Gil, rendeu uma pergunta mal-intencionada, uma resposta estúpida, interpretações exageradas e acendeu o estopim de uma bomba que divide o país em classes, fomentando a luta entre elas (Karl Marx deve estar rindo em seu túmulo). O "neo-comunismo", não opõem operários e capitalistas e pobres e ricos; O "neo-comunismo" confronta negros x brancos, heterossexuais x gays e ambientalistas x defensores da economia de mercado. Aqueles que pensam que o socialismo/comunismo morreu com a queda do Muro de Berlim, se engana: ele está mais vivo, mais forte e mais presente do que nunca! As cotas raciais, estatutos anti-discriminatórios prolixos, leis e financiamento público e privado a grupos "Sociais" (por exemplo, os repasses do Ministério da Cultura para Movimentos Gays, doações da Fundação Ford ao MST) são exemplos da ascensão da esquerda em todo o mundo, principalmente na Europa e nos EUA.



Diante deste cenário triste, catastófrico e lamentável, deixo o link de uma espetacular entrevista do economista americano Walter Willians, negro, crítico ferrenho de políticas "afirmativas" e defensor do liberalismo econômico e social. Sua entrevista é uma espetacular aula de Economia Liberal e liberdade individuais. O vídeo, de 20 minutos, foi melhor do que qualquer aula que tive na faculdade em quatro anos. Para o srº Walter Willians, o preconceito é fruto ausência de liberdade econômica entre as camadas sociais pobres, e, na medida que o desenvolvimento econômico avança e a economia de mercado se consolida, o preconceito é reduzido. Suas afirmações são baseadas em uma comparação entre os EUA escravista e os EUA atual, onde alguns negros, descendentes de escravos, são mais ricos que príncipes e autoridades africanas. Segue o link, para estudo e reflexão:

01/04/2011

A roda do tempo

Prezados amigos, desculpem-me pela longa ausência! Resolvi voltar abordando um assunto relacionado a preconceitos e erros do passado, como o antiamericanismo citado pelo Saulo, que tem tudo a ver com os tempos atuais!

Não são poucos os que comparam o Governo Lula ao Governo Geisel: Exatos trinta anos atrás, o Brasil vivia os tempos áureos de seu milagre econômico, com industrialização, urbanização e enriquecimento da classe média. Apesar do obscurantismo do AI-5, o país exaltava a si mesmo, festejava o tricampeonato, bendizia a expansão e endividamento do Estado empresário-interventor, observava tempos de fartura no Bovespa e assistia ao preço do petróleo se preparando para voar à estratosfera.

A visão "independente" dos EUA na política externa também era semelhante, apesar dos militares terem sido mais pragmáticos. Os erros norte-americanos em sua política regional, causa justa do ódio nacionalista mas alimentada irracionalmente pela esquerda, infelizmente ganhou força recentemente.

O "Brasil a la Roussef" se mostra mais sério e menos arterial na política externa, assume os benefícios da privatização em alguns setores como rodovias e aeroportos, governa de uma forma um pouco mais gerencial. Mas o grande e antigo problema do Estado brasileiro assume contornos graves e volta à tona justamente no auge de seu prestígio recente: O descontrole fiscal que, provocando inflação, ameaça descarrilar o crescimento e estabilidade de preços, enquanto o Governo finge que não está vendo.

Isso tudo me lembra uma "roda do tempo": erros do passado se repetindo pela incapacidade de se relembrar do óbvio. O óbvio que, assim como acabou com a festa na década de 1970, pode acabar com a que vivemos na década atual: A tolerância aos riscos de uma inflação pequena, mas crescente, que pode se tornar um monstro. Ou melhor, um dragão!

24/03/2011

A doença do anti-americanismo

Hoje, em meu último dia de férias, fui a banca de jornal do Parque Halfeld, como de costume. Lá, me deparei com a cena de sempre: algumas pessoas, em sua maioria idosos, lendo as manchetes e comentando as reportagens. Fui fazer o mesmo, mas fiquei alguns poucos segundos, para evitar um bate-boca. No momento em que cheguei, um senhor, bem vestido, colérico e enfurecido dizia: "Estes americanos são hipócritas! Atacam a Líbia por causa do petróleo! Os EUA estão longe de ser uma democracia! Eles nunca fizeram uma eleição para eleger o dirigente do Pentágono! O povo não vê essas coisas, é falta de consciência política!" É isso mesmo amigo. Você não leu errado, e posso garantir que ouvi estas palavras, perfeitamente. Eu senti vontade de retrucar, de perguntar para ele se o Brasil faz eleições para eleger os generais do Ministério da Defesa, mas pensei "é um homem idoso, não vai mudar suas "convicções". Quando ouvi estas palavras, lembrei de um post, neste blog, do amigo Rafael Cury, em que externou a opinião de uma senhora dizendo que as manifestações populares nos países árabes eram insufladas pelos EUA. Também lembrei de minha tia-avó, nacionalista radical, que tem ódio de americanos e europeus e os vê como culpados de todas as guerras e de toda a pobreza no mundo.
Diante disso, pergunto: este anti-americanismo histérico e irracional é mais forte nas gerações mais velhas? Isto é fruto da baixa escolaridade no passado? Apesar de existirem ainda jovens raivosos (ou invejosos?) dos EUA, vejo que o anti-americanismo é mais forte, intenso e irracional nos idosos. Por que? Será o comunismo? O Governo Vargas? O Governo militar? Quem plantou estas idéias nos brasileiros idosos? Meu palpite: o comunismo contribuiu em maior peso, mas, o Governo Vargas, nacionalista, pode ter influência.
Para mim, este é o "problema" da democracia: todos votam. Se um governo faz uma lavagem cerebral eficiente (como o PT atualmente), ele se perpetua no poder, de forma anti-ética e legítima. No meu ver, em países pobres e não-civilizados, ela não funciona. Por isso eu digo: maldito Mal Deodoro da Fonseca. Maldita República. Viva D. Pedro II, o eterno imperador! Deixo aqui as convicções de um monarquista conservador.

09/03/2011

Os coronéis e seus barris... furados!

A imensa tempestade oriunda da Primavera Árabe, que já derrubou duas ditaduras e arrastou outra para uma guerra civil, pode ser obrigada a dividir as manchetes com uma outra que começa a se formar deste lado do Atlântico.

Entre as causas pelas quais as ditaduras árabes se mantiveram firmes, além da repressão brutal, foi o apoio ocidental (que julgava-os preferíveis à jihadistas) e a formação de Estados Rentistas. Os recursos do petróleo, controlados pelo Estado, dispensavam uma grande tributação e permitiam benesses para aplacar os ânimos da população. Isso não funciona mais no Egito e Líbia, e cada vez mais parece não funcionar na nossa vizinha Venezuela.

O socialismo bolivariano, implantado lá pelo também Coronel Chávez (como Kaddafi), destruiu a iniciativa privada e comprometeu seriamente as finanças das estatais, que operam de forma cada vez mais precária. A não ser que o preço do petróleo mantenha-se elevado por tempo indeterminado, um calote da dívida externa é possível após 2012.

Mas e aí? Se a sorte não ajudar, a situação, já ruim, irá sim piorar. A escassez generalizada de eletricidade e de outros produtos, um problema corriqueiro no país, somados à bancarrota do Estado e da PDVSA (a petrolífera, guardiã da riqueza que carrega o país nas costas), pode conduzir a manifestações e revoltas populares similares às que hoje se erguem no norte da África.

Mas 2012 é também o ano da eleição presidencial. Estará Chavez guardando recursos para esbanjar em ano eleitoral, ou irá simplesmente apressar a bancarrota para se manter no poder? Se ele perder, vai embora como Mubarak, ou seguirá os passos de seu amigo Kaddafi? Mas e se não perder? O que fará para arrumar a bagunça?

Nesses tempos em que os coronéis do petróleo já não são tão fortes como antigamente, essas perguntas são pavorosas: Barris furados de petróleo podem ser tão explosivos como os de pólvora que vemos em desenhos animados, mas não tem nada de engraçado. Principalmente quando explodem na esquina da sua casa!

05/03/2011

O "Pibão" e o Porto de Paranaguá

Na última quinta-feira, dia 03 de março, cheguei em casa, tomei um banho e fui assistir o Jornal Nacional. Como primeira notícia, foi anunciado o crescimento da economia em 2010: 7,5% (melhor resultado desde 1986). Mas o que achei mais interessante, foi a imprensa não se deixar enganar: ressaltou a queda no PIB em 2009 (o que facilita, matematicamente, um crescimento robusto no período seguinte) e fez uma reportagem sobre o Porto de Paranaguá, onde a soja brasileira embarca para abastecer asiáticos e europeus. De acordo com as imagens e relatos de caminhoneiros, a situação no porto é caótica. Por terra, há uma fila interminável de caminhões na estrada, no pátio e no cais; e por mar, há uma fila de navios graneleiros (!) esperando a oportunidade de atracar. Os administradores disseram que obras para a construção de armazéns estão em andamento, e ressaltaram o aumento da produção agrícola nos últimos, que traz á tona os desafios de infra-estrutura. Concordo, claro. O que me choca é ter visto uma reportagem semelhante em 2004 e observar que o caos continua. Mas estas reportagens incentivam comentários pontuais:
1) Nos últimos anos, em alguns pontos, o Brasil tem se preparado para crescer. Nossas missões comerciais, nos últimos 16 anos, desbravaram alguns mercados; Conquistamos, a um custo enorme, a estabilidade monetária (que pode estar ameaçada); Nossa população está ávida para se capacitar e progredir financeiramente; Nossas empresas buscam a modernização e a conquista de mercados; O consumo das famílias tem aumentado; Nossa agricultura observou progressos consideráveis em termos de produção e pesquisa. Obviamente, isto pressiona, em termos de infra-estrutura, um Estado que assumiu compromissos sociais consideráveis e uma nação oriunda de uma década perdida e desafios intermináveis.
2) Apesar das citadas conquistas, nosso sistema tributário é um monstro, nosso setor público é pesado, a educação pública é uma das piores do mundo e carecemos de uma reforma política e uma mentalidade empreendedora, que privilegie o mercado e abandone a cultura do coitado. A administração do PT lançou o PAC 1 e o PAC 2, assumiu o desafio de organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada e se gaba de patrocinar uma "revolução socioeconômica", mas, o que se vê é a total falta de comprometimento com ajustes fiscais, planejamento, reformas, parcerias público-privadas, privatizações e investimentos em infra-estrutura. O "corte" de Gastos da administração Dilma é apenas um "aumento menor" do dispêndio público, e o governo não sinaliza quais serão as medidas de austeridade nos próximos anos.
3) Como os Gastos Públicos avançaram significativamente no fim do governo Lula e a capacidade instalada não expandiu em diversos setores, os preços aumentam. Diante das incertezas que o governo promove, a redução de credibilidade ameaça conquistas anteriores.
4) Quanto aos grandes eventos esportivos de 2014 (amanhã) e 2016, parte da obra do Maracanã foi embargada pelo TCU. Obras são licitadas apenas com o projeto básico, e, aereoportos, continuam deficientes. A CHANCE DE UM VEXAME INTERNACIONAL, EM GRANDE ESCALA, É GRANDE.
Por fim, como um economista cético e frio que aparece em telejornais, digo: não há motivos para comemorar o "Pibão". Há motivos é para se preocupar com o Gigante deitado enternamente em Berço Esplêndido.

04/03/2011

Fidel, Cháves, Zé Dirceu, Kaddafi X Resto do Mundo

No início da semana eu ouvi de uma senhora esquerdista que a revolta popular que derrubou a ditadura egípcia foi orquestrada pela CIA, já que Mubarak roubava demais e estava atrapalhando os planos americanos para o país. No mesmo dia, Zé Dirceu disse em seu Blog que a revolta líbia era um movimento influenciado e manipulado pelos americanos para invadir o país em busca de petróleo. Opinião semelhante a de Fidel, divulgada alguns dias depois. Mais recentemente, Cháves defendeu o regime afirmando que estava tudo bem na Líbia. Agora, ofereceu mediação no conflito.

Meu Deus, em que mundo os esquerdistas latinoamericanos vivem? Ou melhor, em que século?

Os EUA eram aliados íntimos dos Governos Ben Ali (Tunísia) e Mubarak (Egito), e operavam tranquilamente na companhia de Kaddafi, conhecido como "Monkey King" na Líbia. A Casa Branca foi pega de surpresa com os episódios, que aliás a CIA falhou em prever, e deixou latente a sua insegurança e receio em tomar posições.

Não é para menos: A Tunísia nem era tão importante, mas o Egito é peça central da geopolítica árabe e dos interesses americanos. O Obama deve ter passado noites sem dormir só de pensar que poderia ser acusado pelos republicanos de ser o presidente que perdeu o Egito (Carter foi o acusado de ter perdido o Irã).

A baderna líbia é diferente: O país tem vínculos "carnais" com a Itália e é um grande fornecedor para a UE. Nos últimos cinco anos empresas ocidentais investiram bilhões de dólares no país, enquanto seus governos convidavam o "monkey king" para encontros do G-8 e similares. Mesmo sem morrer de amores, os americanos conviviam muito bem com ele, principalmente na luta contra a Al-Qaeda.

Nesse caso, foi mais fácil tomar uma decisão por 3 motivos: A experiência adquirida das rebeliões anteriores, o risco menor para os americanos (eles tem menos em jogo na Líbia) e a reação psicopata do monkey king (que levou ainda mais gente às ruas, deserção em massa nas forças armadas e no corpo diplomático).

O "Itamaraty a la Roussef" começou muito bem. Graças a Deus ignorou a esquerda cínica e mofada que ainda tem voz na América Latina, o único lugar que os ouve! Os EUA não precisavam derrubar os governos árabes para ganhar dinheiro e petróleo, todos eram aliados deles (exceto Síria). Além do mais, porque duvidar da capacidade popular de se rebelar em nome de Liberdade e Justiça?

Fidel, Cháves e Zé Dirceu são todos ex-guerrilheiros de esquerda, antigos defensores da igualdade social e soberania nacional, que chegaram ao poder pela democracia (exceto o primeiro). Se eles podem lutar em nome da sua consciência, porque nós árabes não podemos? Se eles não agiam em nome dos soviéticos quando buscavam o socialismo, porque os árabes comuns (exclusos da fartura petrolífera) teriam que seguir os americanos para alcançar uma democracia pluralista?

Acorda pessoal: O século 21 começou e a Guerra Fria acabou, a muitos e muitos anos atrás!

24/02/2011

Ocidentalização do Mundo? Ou apenas democratização?

Existe um debate vigoroso na China, e como sempre discreto, entre acadêmicos e políticos sobre como definir valores: A democracia, os direitos humanos e a liberdade são questões universais ou locais? A tradição ocidental, expressa na democracia liberal, é o único modelo de democracia ou existem modelos locais, nacionais?

O regime comunista vem defendendo que seu país é livre e democrático, mas à maneira chinesa. O regime político, bem como questões de direitos humanos, são assuntos internos e dependem da cultura nacional. A democracia liberal seria apenas o modelo vigente na Europa, América e partes da África.

Ocidentais e dissidentes enxergam, nas entrelinhas desse debate, a tentativa chinesa de legitimar o seu regime e justificar o contato com outros regimes não-democráticos. Vozes se ergueram sobre o que seria o Consenso de Beijing: Não interessa o sistema político, isso é assunto interno (e ponto final)... Vamos aos negócios! Esse consenso ganharia adeptos em linha com a ascensão econômica e militar chinesa.

Essa postura esvazia algumas estratégias ocidentais, que costumam exigir liberdade e democracia para formar alianças econômicas. Situações embaraçosas podem ser vistas no Sudão, Mianmar e Sri Lanka. Claro, não sejamos bobos: As exigências liberais do Ocidente costumam variar de acordo com a necessidade e interesse - e se concentram, quase sempre, na área econômica.

Mas a tempestade árabe que se alastra pelo norte da África e Oriente Médio pode trazer a balança do debate para o lado dos universalistas: As revoltas não abominam tradições e costumes locais (religião, língua, forma de estado e governo, etc.), pedem apenas liberdade de expressão, opinião e associação (política, inclusive). Eles querem o direito de participar do governo e das decisões públicas, e não anexar os seus países à Europa e América.

Nessas regiões, os jovens e outros oposicionistas tentam firmar a democracia como um valor tão importante como os demais. Se vai funcionar, ainda é incerto, mas que é empolgante, disso não tenho dúvida!

16/02/2011

Dilma Roussef: Uma guinada ao Liberalismo?

Um antigo professor meu da Universidade, brilhante até no nome, costumava dizer que a Esquerda brasileira, quando chegava ao poder, virava Direita. O próprio Lula, ícone político, foi mais nacionalista do que propriamente esquerdista. Não foram poucos os que notaram as similaridades de algumas de suas ações econômicas com as do General Geisel. Mas a Dilma parece estar seguindo em frente.

Privatizar aeroportos, abrir o capital da Infraero, profissionalizar o Sistema ELETROBRAS, cortar despesas, incentivar o investimento privado de longo prazo, reaproximação com os EUA, crítica às ditaduras amigas (leia-se esquerdistas), Não-intervenção (ou opinião) em assuntos externos de outros países, respeito aos contratos, mais cuidado na abordagem da regulação da imprensa...

Apesar do alcance limitado, essas medidas liberais são uma mudança interessante... Poderia ser tudo pura lorota de governo novo para impressionar o mercado e a sociedade, afinal de contas vícios do antigo governo foram mantidos (Inchaço da Máquina, muitos políticos e apadrinhados com emprego). Mas e se a Dilma estiver falando sério? Aliás, ela já deu diversas mostras de que deve ser levada a sério (Lobão e Haddad que o digam).

Até que ponto ela irá, ainda é uma incógnita. Como bom árabe, não costumo apostar minhas moedas em rumores, mas surge uma pontinha de esperança. Sem o carisma de Lula e aquela mania dele de falar demais e permitir tudo, ela terá que construir seu nome sobre Crescimento Econômico Sólido e Gerência Rigorosa da União.

Essa pode ser uma excelente oportunidade para o Brasil. Existem questões pendentes sobre agências reguladoras, mineração, energia, portos e rodovias. O bom acompanhamento destas fortaleceria o novo ciclo econômico brasileiro, cada vez mais um país de classe média. Enfim, eis uma novela da qual estou ansioso pelo próximos capítulos!

10/02/2011

Começamos a política fiscal com o pé direito.

Nunca pensei que o meu primeiro post no Liberalis Dextra, que é um blog formado por três economistas com visões liberais e a direita do espectro político, fosse uma contestação positiva de um governo suposto de esquerda, e que foi eleito pelos votos da base da pirâmide social, a contra gosto da dita classe média.

E qual o motivo deste improvável título para este blog?

Essa seguinte matéria de capa do Valor Econômico de hoje Cortes indicam queda real de 2,6% na despesa | Valor Online 

Com isso o dia de ontem se aponta com um momento histórico da política fiscal sobre o comando do PT, pela primeira vez, as políticas fiscais e monetárias andaram de mão dadas. (Até que enfim!). Com isso a sinalização que o governo de Dilma está dando é bem clara, estamos preocupados com inflação e queremos que os esforços do Banco Central sejam minimizados, ou seja, uma salva de palmas ao pragmatismo.

E algo muito importante, os cortes vão ser feitos em áreas bastante sensíveis ao funcionalismo público, porque serão feitos em grande parte no custeio, onde há grande oportunidade de economia, como já pude presenciar em projetos de gestão em governos estaduais, e que demandam mudança de cultura das pessoas envolvidas e uma saída da sua zona de conforto. E o interessante é que não só os atuais funcionários públicos, como os futuros vão sofrer o impacto desta inflexão, pois todos os concursos e nomeações estão suspensos para esse ano, enfim acabou a era da bonança para os concurseiros, mas não fique desesperado, o funcionalismo só vai parar de crescer, mas ainda vai ser necessária a reposição dos que se aposentaram.

Isto me lembra das minhas discussões calorosas na época da eleição, que ouvi de várias pessoas que iriam votar na Dilma, porque ela iria manter os concursos e o Serra iria corta-los, doce ilusão, ações bruscas como essa (cortar concursos) não iriam acontecer do nada, e sim devido a uma variedade de causas que embasariam essa medida, independente de quem fosse o governante. 

E por fim outra área crítica é as emendas parlamentares, e nessa eu deixo uma pergunta, como um "poste" vai saciar a ânsia de poder dos nossos deputados?

09/02/2011

Uma primavera árabe? Ou apenas uma tempestade de inverno?

O mundo vem acompanhando, atordoado e às vezes apavorado, as diversas manifestações que se espalham e multiplicam pelo mundo árabe. É surpreendente como a imolação de um desempregado contra a violência policial deflagrou uma revolução (de Jasmim, na Tunísia) e depois explodiu em diferentes intensidades em outros 8 países (Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Síria, Jordânia, Omã e Iêmen).

Os acontecimentos estão levantando questões importantíssimas: Será a Revolução de Lótus (Egito-2010) a próxima da lista? Será o Mundo Árabe sacudido por uma onda democrática similar a que vinte anos atrás varreu o autoritarismo do Leste Europeu?

As suposições variam pouco:
Mesma língua, mesma etnia, ditaduras similares (todas brutais, corruptas e ineficientes), mesma maioria religiosa (islamismo sunita), países economicamente e politicamente conectados
+
Uma população exausta de miséria, desemprego, corrupção e falta de liberdade... as redes sociais (facebook, twitter, etc.) negligenciadas pelos opressores, mas utilizadas pelos jovens para informar, denunciar e mobilizar
=
REVOLUÇÃO

Assim posto, a causa dos movimentos, sua intensidade e alcance não é mistério para ninguém, apesar de inesperado. De retrospecto, tudo sempre fica mais fácil, não é verdade? O que permanece complicado é o futuro.

No Egito, a própria The Economist, em meados de 2010, já havia mencionado sobre os ventos de mudança na nação árabe (apesar de não suspeitar de um levante popular). A Revolução de Jasmim foi apenas um toque de despertar para os manifestantes egípcios. São tantas as dúvidas sobre a transição, que ainda é possível duvidar que ela possa realmente ocorrer.

A Argélia e o Iêmen passam por situações complicadas, já que vivem ou viveram recentemente guerras civis, radicalismo islâmico e situação econômica delicada. Ninguém sabe onde isso tudo vai chegar.

A Jordânia, apesar dos protestos pró-democracia, não sofre um levante contra a monarquia. Apesar da tensão, compartilho da visão de que haverá uma certa abertura política e o congelamento das reformas econômicas (o necessário para apaziguar a oposição).

Nos demais países as coisas parecem já ter voltado ao normal, apesar dos pesares.

Enfim, a tempestade de inverno que se formou na Tunísia e se espalhou pelos demais países árabes irá provocar mudanças, mas dificilmente as coisas evoluirão para uma transformação democrática na envergadura da velha "Primavera do Leste"... Para a tristeza dos milhares de manifestantes em busca de Liberdade e Mudança, e o árabe que aqui escreve.

06/02/2011

Wikileaks: Diplomacia brasileira mais atrapalhou do que ajudou, segundo os EUA

De acordo com reportagem no jornal O GLOBO, diplomatas americanos, em telegramas, classificaram como ingênuas e desorganizadas as ações diplomáticas do Brasil no Oriente Médio, e um diplomata egípcio classifica a intenção do Brasil de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como "obsessiva". O vazamento de informações descrito na reportagem termina com a procura do Rabino Henry Sobel á diplomatas americanos, declarando que o ex-presidente Lula e seu partido são anti-semitas... Bom, vamos por partes:
1) Realmente, a diplomacia brasileira no Oriente Médio foi um desastre. Se analisarmos pela ótica de ações e resultados, chegamos a esta conclusão. O Irã continua como uma peça delicada e o Brasil não adquiriu posições vantajosas, como uma sinalização do famigerado lugar no Conselho de Segurança da ONU e tampouco barganhas econômicas. O que vemos são posições totalmente ideológicas e carentes de planejamento. Reinaldo Azevedo, em seu blog na veja, fez uma lista extensa dos desastres da Política Externa Brasileira. São muitos.
2) O Conselho de Segurança da ONU, apesar de sua importância, mesmo após a invasão do Iraque, vai atender a quê em termos de negociações? Podemos barganhar em rodadas internacionais, mas, se o Brasil for aceito no orgão, por quê não aceitar Alemanha, Japão, Índia, África do Sul e outras diversas nações? A aceitação do Brasil poderia abrir precedentes para outros "chorarem" e barganharem também...
3) Está na hora de judeus deixarem de ser eternas vítimas. Ter uma posição diplomática contrária a Israel é anti-semitismo? Quero aqui ressaltar uma passagem polêmicas do Talmud, livro sagrado dos judeus: "A diferença de um judeu para um gentio, é muito maior que a diferença deste para um animal". Duvida? Pesquise que você encontrará...
Saudações!

04/02/2011

A Europa "era" logo ali...

Buenos Aires é um dos destinos prediletos dos turistas brasileiros. Só nesse ano são esperados cerca de 500.000 tupiniquins na capital portenha. Quando visitei a cidade durante o meu mochilão, esbarrei com conterrâneos em todos os cantos da cidade, sendo até desnecessário falar espanhol.

Mas a riqueza e a glória que tornaram a Argentina um lugar tão belo e instrutivo para se conhecer não existe mais. Aquele que foi um dos países mais ricos do mundo pré-1914, praticamente uma nação europeia em pleno Rio da Prata, não existe mais. Sucumbiu às suas raízes ibéricas e latino-americanas.

Raízes que se fizeram notar na concentração agrária, na violência rural, na famosa e visceral instabilidade política, na dependência britânica e depois norte-americana, no foco excessivo em agro-exportação e consequente desprezo pela industrialização.

Não que a história brasileira esteja livre destes males. Longe disso. Mas a elite brasileira é mais homogênea e conservadora, cautelosa e desconfiada de radicalismos do que sempre foi a sua congênere argentina. Mesmo o Brasil excluído, quando lutou por suas reinvindicações, o fez de forma cautelosa e muitas vezes contida. Prestes, um comunista com armas e patente de oficial, jamais teve o apoio que o o pragmático e focado sindicalista Lula conquistaria anos depois. Modernização sim, mas sempre de forma lenta, calculada e gradual. Aliás, tudo ao melhor estilo português (viva João VI).

O histórico argentino é marcado por reviravoltas dramáticas e infelizmente constantes na política econômica e externa, ocorridas a cada troca de governo (nem sempre dentro da lei) e que custaram caro ao país. Como exemplo, basta observar o neoliberal, gastador e pró-EUA apaixonado Menem e o heterodoxo, estatista e anti-EUA ferrenho casal Kirchner. Cada um deles foi fundo em uma doutrina e, a seu modo, só fizeram afundar ainda mais o país.

Essa instabilidade atrofiou a economia, lançou aos ventos a poupança passada e preencheu com incerteza o presente e o futuro do país. O sétimo país mais rico do mundo (ao lado dos europeus) tornou-se apenas a terceira maior economia latino-americana.

E o pior é que o atual Governo parece não ter percebido isso até agora. Aguardem os próximos capítulos...