04/03/2011

Fidel, Cháves, Zé Dirceu, Kaddafi X Resto do Mundo

No início da semana eu ouvi de uma senhora esquerdista que a revolta popular que derrubou a ditadura egípcia foi orquestrada pela CIA, já que Mubarak roubava demais e estava atrapalhando os planos americanos para o país. No mesmo dia, Zé Dirceu disse em seu Blog que a revolta líbia era um movimento influenciado e manipulado pelos americanos para invadir o país em busca de petróleo. Opinião semelhante a de Fidel, divulgada alguns dias depois. Mais recentemente, Cháves defendeu o regime afirmando que estava tudo bem na Líbia. Agora, ofereceu mediação no conflito.

Meu Deus, em que mundo os esquerdistas latinoamericanos vivem? Ou melhor, em que século?

Os EUA eram aliados íntimos dos Governos Ben Ali (Tunísia) e Mubarak (Egito), e operavam tranquilamente na companhia de Kaddafi, conhecido como "Monkey King" na Líbia. A Casa Branca foi pega de surpresa com os episódios, que aliás a CIA falhou em prever, e deixou latente a sua insegurança e receio em tomar posições.

Não é para menos: A Tunísia nem era tão importante, mas o Egito é peça central da geopolítica árabe e dos interesses americanos. O Obama deve ter passado noites sem dormir só de pensar que poderia ser acusado pelos republicanos de ser o presidente que perdeu o Egito (Carter foi o acusado de ter perdido o Irã).

A baderna líbia é diferente: O país tem vínculos "carnais" com a Itália e é um grande fornecedor para a UE. Nos últimos cinco anos empresas ocidentais investiram bilhões de dólares no país, enquanto seus governos convidavam o "monkey king" para encontros do G-8 e similares. Mesmo sem morrer de amores, os americanos conviviam muito bem com ele, principalmente na luta contra a Al-Qaeda.

Nesse caso, foi mais fácil tomar uma decisão por 3 motivos: A experiência adquirida das rebeliões anteriores, o risco menor para os americanos (eles tem menos em jogo na Líbia) e a reação psicopata do monkey king (que levou ainda mais gente às ruas, deserção em massa nas forças armadas e no corpo diplomático).

O "Itamaraty a la Roussef" começou muito bem. Graças a Deus ignorou a esquerda cínica e mofada que ainda tem voz na América Latina, o único lugar que os ouve! Os EUA não precisavam derrubar os governos árabes para ganhar dinheiro e petróleo, todos eram aliados deles (exceto Síria). Além do mais, porque duvidar da capacidade popular de se rebelar em nome de Liberdade e Justiça?

Fidel, Cháves e Zé Dirceu são todos ex-guerrilheiros de esquerda, antigos defensores da igualdade social e soberania nacional, que chegaram ao poder pela democracia (exceto o primeiro). Se eles podem lutar em nome da sua consciência, porque nós árabes não podemos? Se eles não agiam em nome dos soviéticos quando buscavam o socialismo, porque os árabes comuns (exclusos da fartura petrolífera) teriam que seguir os americanos para alcançar uma democracia pluralista?

Acorda pessoal: O século 21 começou e a Guerra Fria acabou, a muitos e muitos anos atrás!

Um comentário:

Saulo Franco disse...

Cury,
Infelizmente, vivemos em um país que adotou a cultura do coitado. O rico é sempre culpado de tudo, o pobre sempre é a vítima. O trabalho é visto como uma forma de exploração do pobre pelo rico; Graças a este tipo de "pensamento", a esquerda sindicalista, pró-Fidel, anti-EUA e corrupta consegue doutrinar, cada vez mais, as crianças na escola, e, com isso, surgem adultos com o mesmo tipo de pensamento desta senhora. Lamentável... Maldito seja Karl Marx!