15/05/2011

O futuro de um mundo em transformação

Olá amigos,

como um interessado nas relações entre cidades, governo e economia, venho acompanhando os diversos projetos tecnológicos voltados para um novo tema: The Smarter Cities.

Esse nome envolve desde a nova rede de identificação civil da India à Gestão da Água em Singapura. Pelo pouco que eu sei, a IBM está saindo na frente, e é justamente de seu site que eu trouxe duas apresentações interessantíssimas:


Smarter Cities: www.ibm.com/smartercity/br

O primeiro fala sobre os desafios dos Governos frente à seis mudanças estruturais de caráter mundial do século 21, relacionando suas respostas às ideias da "Smarter City". O segundo fala, de forma geral, sobre as possíveis aplicações deste conceito em uma cidade e a maneira como isso é realizado. Está em inglês, mas vale o trabalho.

09/05/2011

Telhado com goteira se conserta é em dia de sol!

O Manhattan Connection (Globonews) de ontem contou com a participação de um especialista em Sistema Público de Saúde. A sua fala me chamou a atenção por reclamar do subfinanciamento do SUS e torcer pela aprovação da regulamentação da Emenda 29. Não, eu não sou contra o SUS. Mas essa regulamentação implica na divisão compulsória de 10% das receitas federais para a Saúde, o que aumentaria em R$ 32 bilhões o orçamento do setor. Ora, será que as Contas Públicas estão prontas para remanejar esses valores sem aumento dos impostos?

Infelizmente, não. No Brasil, a reserva de receita para despesas específicas, como Saúde e Educação, apesar de louváveis, acabam causando problemas. Imobilidade orçamentária, aliada à má-gestão pública, gera uma camisa-de-força na hora de tocar projetos e despesas. E a solução para isso tem sido sempre através de "puxadinhos" no lado das receitas, via elevação da carga tributária (crescente desde a redemocratização).

Isso dito, posso entrar no coração desta questão: a necessidade de uma reforma tributária. Esses gastos são benvindos e necessários, mas não podem ser financiados na lógica que o são hoje!

Vejam exemplos de danos colaterais:
1. O alto custo da energia elétrica, 50% desse valor em impostos, já está empurrando fábricas de alumínio, celulose e petroquímica para outros países da América do Sul;
2. A cobrança excessiva de tributos sobre a folha de pagamentos é considerada um empecilho à contratação de empregados, motivo pelo qual a União vem debatendo internamente meios de alterá-la;
3. A babel tributária é considerada o pior dos infernos pelos empresários, que gastam com advogados e contadores um valor imenso em comparação com os tributos pagos.

O Movimento Brasil Eficiente (www.brasileficiente.org.br) tem defendido uma reforma tributária interessante, cujo mote principal é a simplificação. Inicialmente não haveria redistribuição do bolo nem redução dos impostos, atualmente os principais nós para um acordo. O prof. Paulo Rabello de Castro afirma que, com o fim dessa "favela tributária", já seria mais simples dar prosseguimento à reforma da gestão pública e obter maior transparência. Uma segunda consequência seria a discussão mais ampla sobre o tamanho da carga tributária e talvez sobre a divisão de recursos entre os entes federativos.

O período atual, de crescimento econômico, é o melhor hora para mudanças. Exatamente como diz o ditado no título. Visite o site deles e conheça a proposta. É simples, mas ousada. E pode ajudar muito no financiamento das imensas responsabilidades públicas sem sobrecarregar o contribuinte, ou melhor, a nós, os pagadores de impostos.

03/05/2011

Bush & Saddan x Obama & Osama

Nesta semana, vivenciamos um fato de suma importância: A morte de Bin Laden. No Brasil, muitos duvidam sobre a morte do terrorista. Faço minha análise, comparação e reflexão:


1) Duvidar de sua morte é uma estupidez. Os Democratas não correriam o risco de anunciar o fim do terrorista, e, dias ou meses depois, o criminoso aparecer em vídeos fazendo ameaças.


2) É perfeitamente compreensível a não-divulgação de fotos e vídeos do cadáver, além de não sepultá-lo. Tais ações poderiam soar como uma provocação aos fanáticos terroristas, e, quero lembrar aqui que os muçulmanos condenam fortemente a "exposição da figura humana" de forma "depreciativa". Além disso, um túmulo, no Oriente Médio poderia servir de peregrinação e mistificação de um "mártir".


3) Assim como Saddan Hussein foi capturado em 2003 (eleições presidenciais em 2004) e Bin Laden é morto em 2011 (eleições presidenciais em 2012), é difícil não acreditar que a CIA já conhecia o paradeiro de ambos muito antes de capturarem. A captura/morte destes inimigos capitais foram efetuadas em tempo conveniente a interesses eleitoreiros.


4) No bairro em que eu morava, havia um dono de bar que sabia de tudo e de todos. Mulheres que traíam maridos, indivíduos que usavam drogas, etc. É muito difícil de acreditar que ninguém no povoado e na base militar paquistanesa sabia da presença de uma ilustre e odiada figura internacional em uma casa esquisita. Os americanos, que "invadiram" o território paquistanês para realizar a operação, tentam por "panos quentes", dizendo que o Paquistão sempre colaborou com as investigações e operações. Já os europeus, que não tem nada a ver com isso, dizem, sem medo, a provável verdade: O Paquistão escondia escondia o terrorista.


5) Assim como El Cid, depois de morto, venceu uma batalha contra os mouros na Espanha medieval, Bin Laden pode ser mais perigoso morto do que vivo. Obviamente, seus pupilos planejarão vingança. Não hoje, não amanhã; Estes terroristas loucos e doentes não são imediatistas. Eles não pensam em maximização de utilidade do consumidor; Eles não pensam em nível ótimo de produção e lucros máximos; Eles desejam a benção de Allah, Maomé e a vida eterna no paraíso, com um harém de 80 virgens.


6) Para quem gosta de "exoterismo": Nostradamus descreveu o primeiro (Napoleão) e o segundo (Hitler) anti-cristo com detalhes que se confirmaram. Segundo o mesmo, haverá um terceiro, nascido na Ásia, adúltero e SUA MORTE CAUSARÁ GUERRA E DESTRUIÇÃO. Será?


Ficamos no aguardo dos próximos capítulos (Espero que sejam pacíficos).

02/05/2011

Que primavera nada... O nome certo é Tempestade árabe!

Depois de um mês sumido, apenas assistindo às oscilações de nossa política monetária e às mudanças governamentais de rota nos Correios e Infraero, estou de volta. O noticiário desse fim de semana foi bombástico demais para um cristão árabe, economista e liberal como eu dormir calado! O caçula do Khadafi bombardeado, Osama capturado, Síria sob protestos, atentados no Marrocos, Transição no Iêmen e Acordo na Palestina: Como os jornalistas tem coragem de reunir isso tudo em um pacote chamado "Primavera Árabe"? Primavera é o casamento real na Inglaterra, o que está ocorrendo no mundo árabe é uma tempestade sem fins previsíveis.

Eu nunca acreditei naquele papo de que democracia não serve para o mundo árabe, e, comparando à realidade latinoamericana (confusão entre nacionalismo e socialismo), acabei caminhando em outra direção: Os nacionalistas árabes, em sua luta contra o Imperialismo ocidental, acabaram encurralados entre dois caminhos - o Socialismo e a Teocracia (islâmica).

A busca pela tradição e a fé, a divisão da região em diversos países, além do conflito com Israel, acabou contribuindo para a decadência das cidades cosmopolitas árabes e suas minorias cristãs, armênias e judias (tema de post no blog do Gustavo Chacra). Pobres, menos diversas, mais conservadoras e em estado de guerra, essas nações só poderiam caminhar para revoluções.

E foi o que acabou acontecendo: Tanto a teocracia quanto o Socialismo (Nasser à frente) tinham viés autoritário. Essa visão esquerdista que deu origem às ramificações do Partido Baath no Iraque e na Síria, além do PND no Egito, foram derrotadas pela realidade pós-URSS e a corrupção. Não demorou muito tempo para estes Estados se realinharem aos EUA ou pelo menos se acomodarem na nova realidade.

Eis que surge o Irã teocrático e o Hezbollah libanês: O que se viu nos últimos anos foi uma substituição da guerra fria ideológica por uma Guerra Fria religiosa. Agora se divide essa região assim: árabes X judeus; sunitas X xiitas (Irã); Radicais X EUA.

Os partidos islâmicos, com seu histórico de fé, honestidade e sentimento anti-americano, foram crescendo na preferência desse eleitorado cada vez mais conservador e empobrecido. Movimento que envolve e aterroriza não só o Ocidente, mas também as elites e classes médias de viés secular.

O Tony Blair deu entrevista ao Globo em que defende a invasão do Iraque como o melhor para o país (alega que eles atenderam ao clamor por liberdade e desenvolvimento), além de ressaltar os riscos do radicalismo religioso e da inimizade étnica para o futuro de qualquer democracia na região. Nem todo o mundo árabe pode ser comparado ao Egito e à Tunísia.

Com o Obama indo ao ar para anunciar o assassinato e captura do corpo de Osama Bin Laden, novas dúvidas nascem sobre o futuro da Al-Qaeda e de suas filiais no Iraque e Iêmen. A Síria está cada vez mais instável, e isso interfere no equilíbrio de poder entre Israel e Irã. As incertezas no Iêmen e no Bahrein lançam dúvidas sobre as divisões religiosas em território saudita, cujas minorias religiosas são majoritárias nas províncias petrolíferas. O Hezbollah agora controla o governo no Líbano, equilibrando-se na corda bamba sectária que já levou a graves conflitos no passado.

Amigos, estamos em tempos nos quais tudo que é solido (e podre) se desmancha no ar. As volúveis e instáveis areias dos desertos ao sul e leste do mediterrâneo estão apenas começando a se movimentar. O que, venhamos e convenhamos, se parece mais com o prenúncio de uma terrível tempestade do que com a perfumada e doce chegada da primavera.

02/04/2011

Racismo e Liberalismo Econômico

Amigos, nesta semana, iniciou-se um intenso debate, ou melhor, confronto mesmo, envolvendo racismo e homossexualidade. A entrevista do deputado Jair Bolssonaro, feita por Preta Gil, rendeu uma pergunta mal-intencionada, uma resposta estúpida, interpretações exageradas e acendeu o estopim de uma bomba que divide o país em classes, fomentando a luta entre elas (Karl Marx deve estar rindo em seu túmulo). O "neo-comunismo", não opõem operários e capitalistas e pobres e ricos; O "neo-comunismo" confronta negros x brancos, heterossexuais x gays e ambientalistas x defensores da economia de mercado. Aqueles que pensam que o socialismo/comunismo morreu com a queda do Muro de Berlim, se engana: ele está mais vivo, mais forte e mais presente do que nunca! As cotas raciais, estatutos anti-discriminatórios prolixos, leis e financiamento público e privado a grupos "Sociais" (por exemplo, os repasses do Ministério da Cultura para Movimentos Gays, doações da Fundação Ford ao MST) são exemplos da ascensão da esquerda em todo o mundo, principalmente na Europa e nos EUA.



Diante deste cenário triste, catastófrico e lamentável, deixo o link de uma espetacular entrevista do economista americano Walter Willians, negro, crítico ferrenho de políticas "afirmativas" e defensor do liberalismo econômico e social. Sua entrevista é uma espetacular aula de Economia Liberal e liberdade individuais. O vídeo, de 20 minutos, foi melhor do que qualquer aula que tive na faculdade em quatro anos. Para o srº Walter Willians, o preconceito é fruto ausência de liberdade econômica entre as camadas sociais pobres, e, na medida que o desenvolvimento econômico avança e a economia de mercado se consolida, o preconceito é reduzido. Suas afirmações são baseadas em uma comparação entre os EUA escravista e os EUA atual, onde alguns negros, descendentes de escravos, são mais ricos que príncipes e autoridades africanas. Segue o link, para estudo e reflexão:

01/04/2011

A roda do tempo

Prezados amigos, desculpem-me pela longa ausência! Resolvi voltar abordando um assunto relacionado a preconceitos e erros do passado, como o antiamericanismo citado pelo Saulo, que tem tudo a ver com os tempos atuais!

Não são poucos os que comparam o Governo Lula ao Governo Geisel: Exatos trinta anos atrás, o Brasil vivia os tempos áureos de seu milagre econômico, com industrialização, urbanização e enriquecimento da classe média. Apesar do obscurantismo do AI-5, o país exaltava a si mesmo, festejava o tricampeonato, bendizia a expansão e endividamento do Estado empresário-interventor, observava tempos de fartura no Bovespa e assistia ao preço do petróleo se preparando para voar à estratosfera.

A visão "independente" dos EUA na política externa também era semelhante, apesar dos militares terem sido mais pragmáticos. Os erros norte-americanos em sua política regional, causa justa do ódio nacionalista mas alimentada irracionalmente pela esquerda, infelizmente ganhou força recentemente.

O "Brasil a la Roussef" se mostra mais sério e menos arterial na política externa, assume os benefícios da privatização em alguns setores como rodovias e aeroportos, governa de uma forma um pouco mais gerencial. Mas o grande e antigo problema do Estado brasileiro assume contornos graves e volta à tona justamente no auge de seu prestígio recente: O descontrole fiscal que, provocando inflação, ameaça descarrilar o crescimento e estabilidade de preços, enquanto o Governo finge que não está vendo.

Isso tudo me lembra uma "roda do tempo": erros do passado se repetindo pela incapacidade de se relembrar do óbvio. O óbvio que, assim como acabou com a festa na década de 1970, pode acabar com a que vivemos na década atual: A tolerância aos riscos de uma inflação pequena, mas crescente, que pode se tornar um monstro. Ou melhor, um dragão!

24/03/2011

A doença do anti-americanismo

Hoje, em meu último dia de férias, fui a banca de jornal do Parque Halfeld, como de costume. Lá, me deparei com a cena de sempre: algumas pessoas, em sua maioria idosos, lendo as manchetes e comentando as reportagens. Fui fazer o mesmo, mas fiquei alguns poucos segundos, para evitar um bate-boca. No momento em que cheguei, um senhor, bem vestido, colérico e enfurecido dizia: "Estes americanos são hipócritas! Atacam a Líbia por causa do petróleo! Os EUA estão longe de ser uma democracia! Eles nunca fizeram uma eleição para eleger o dirigente do Pentágono! O povo não vê essas coisas, é falta de consciência política!" É isso mesmo amigo. Você não leu errado, e posso garantir que ouvi estas palavras, perfeitamente. Eu senti vontade de retrucar, de perguntar para ele se o Brasil faz eleições para eleger os generais do Ministério da Defesa, mas pensei "é um homem idoso, não vai mudar suas "convicções". Quando ouvi estas palavras, lembrei de um post, neste blog, do amigo Rafael Cury, em que externou a opinião de uma senhora dizendo que as manifestações populares nos países árabes eram insufladas pelos EUA. Também lembrei de minha tia-avó, nacionalista radical, que tem ódio de americanos e europeus e os vê como culpados de todas as guerras e de toda a pobreza no mundo.
Diante disso, pergunto: este anti-americanismo histérico e irracional é mais forte nas gerações mais velhas? Isto é fruto da baixa escolaridade no passado? Apesar de existirem ainda jovens raivosos (ou invejosos?) dos EUA, vejo que o anti-americanismo é mais forte, intenso e irracional nos idosos. Por que? Será o comunismo? O Governo Vargas? O Governo militar? Quem plantou estas idéias nos brasileiros idosos? Meu palpite: o comunismo contribuiu em maior peso, mas, o Governo Vargas, nacionalista, pode ter influência.
Para mim, este é o "problema" da democracia: todos votam. Se um governo faz uma lavagem cerebral eficiente (como o PT atualmente), ele se perpetua no poder, de forma anti-ética e legítima. No meu ver, em países pobres e não-civilizados, ela não funciona. Por isso eu digo: maldito Mal Deodoro da Fonseca. Maldita República. Viva D. Pedro II, o eterno imperador! Deixo aqui as convicções de um monarquista conservador.