Não são poucos os que comparam o Governo Lula ao Governo Geisel: Exatos trinta anos atrás, o Brasil vivia os tempos áureos de seu milagre econômico, com industrialização, urbanização e enriquecimento da classe média. Apesar do obscurantismo do AI-5, o país exaltava a si mesmo, festejava o tricampeonato, bendizia a expansão e endividamento do Estado empresário-interventor, observava tempos de fartura no Bovespa e assistia ao preço do petróleo se preparando para voar à estratosfera.
A visão "independente" dos EUA na política externa também era semelhante, apesar dos militares terem sido mais pragmáticos. Os erros norte-americanos em sua política regional, causa justa do ódio nacionalista mas alimentada irracionalmente pela esquerda, infelizmente ganhou força recentemente.
O "Brasil a la Roussef" se mostra mais sério e menos arterial na política externa, assume os benefícios da privatização em alguns setores como rodovias e aeroportos, governa de uma forma um pouco mais gerencial. Mas o grande e antigo problema do Estado brasileiro assume contornos graves e volta à tona justamente no auge de seu prestígio recente: O descontrole fiscal que, provocando inflação, ameaça descarrilar o crescimento e estabilidade de preços, enquanto o Governo finge que não está vendo.
Isso tudo me lembra uma "roda do tempo": erros do passado se repetindo pela incapacidade de se relembrar do óbvio. O óbvio que, assim como acabou com a festa na década de 1970, pode acabar com a que vivemos na década atual: A tolerância aos riscos de uma inflação pequena, mas crescente, que pode se tornar um monstro. Ou melhor, um dragão!
Um comentário:
Olá Rafael!
Perfeito seu comentário! Na verdade, é uma resposta a uma pergunta que fiz na postagem anterior, sobre quem seria responsável pelo ultra-nacionalismo dos idosos. E realmente, a inflação é uma ameaça. Se atingirmos dois dígitos, a situação poderá sair de controle.
Abraço,
Saulo
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