06/02/2007

Romance entre Lula e Morales.

Para quem achava que essa história havia chegado ao fim, ou que não haveria nenhum novo fato, pode ter se enganado. Afinal o companheiro Evo Morales, vem ao Brasil nesse dia 12, cobrar de Lula um "preço- político" para o gás importado pelo país. Esse novo discurso do boliviano surgiu numa conjuntura onde internamente ele está sendo bombardeado pelos bolivianos. Principalmente por ter conseguido nacionalizar o gás, gerando recursos para o Estado, e sem nenhum ganho para a população ate o momento, a não ser uma preocupação entorno ao desabastecimento de gás na Bolívia. Que necessita de grandes investimentos para conseguir suprir os mercados argentino, brasileiro e o próprio boliviano. Esse é o motivo que levou a Morales a exigir um preço maior para o gás pago pelo Brasil, para que, desse modo, o governo boliviano consiga recursos suficientes para suprir a demanda por investimentos que o país necessita.

Apesar de todas as criticas sofridas por Lula em relação a uma complacência perante a nacionalização do gás na Bolívia, que significou em prejuízos para a estatal Petrobrás. O governo conseguiu administrar essa situação complicada com maestria, que pode ser observada no novo contrato assinado pela petrolífera brasileira, que foi, nitidamente, o melhor contrato assinado em relação às empresas de outros países. Essa habilidade do governo, em contornar a crise, foi também vista em relação ao preço do gás. Pois nesse caso o governo brasileiro nunca cedeu às pressões de discutir esse problema através dos chefes de Estado, ou seja, ter uma discussão política sobre o tema, ele agiu exatamente ao contrário, pois ele foi bastante firme para que essa discussão fosse embasada em fundamentos técnicos.

Assim essa tentativa de Morales, em mudar o final desse livro, pode acabar sendo, na verdade, o ultimo grito de um derrotado, pois o Lula conseguiu administrar essa crise sem causar muitos custos ao povo brasileiro. E ao mesmo tempo mostrou não estar alinhando com essa nova onda esquerdista ultrapassada, que assombra a America Latina do século XXI. Essa distinção mais nítida entre as duas Américas Latinas podem gerar um romance com um final feliz para o Brasil e trágico para os nossos hermanos que foram possuídos por esse espírito.

04/02/2007

Mais quantas oportunidade serão perdidas ?

Seguindo a linha das duas primeiras postagens, o PAC perde uma grande oportunidade de ampliar a mudança que o país está passando. Porque hoje no Brasil se têm um movimento em torno de um menor nível de bancarização no país, ou seja, uma menor dependência dos bancos, e de suas altíssimas taxas de juros, que não caem nem por ordem divina. Par um modelo aonde o mercado de capitais é o grande combustível da economia.

A perda de mais uma oportunidade está correlacionada ao momento do Mercado de Capitais brasileiros, nunca se viu tanto em nosso país, novas empresas entrando na Bolsa de Valores e empresas utilizando do mecanismo de emissão de títulos, para financiar investimentos, ao invés de se sujeitar as altas taxas dos bancos. Mostrando que o empresário brasileiro, estão se cada vez mais dinâmicos e dispostos a fazer com que o país passe para a nova forma do capitalismo, que vem sendo chamado internacionalmente de capitalismo civil, aonde os trabalhadores possuem os meios de produção, como diria Marx, ou melhor, dizendo, as pessoas são ao mesmo tempo funcionários e donos da empresa.

O PAC do nosso governo contribuiu, timidamente, com a criação de um fundo de investimentos para infra-estrutura com origem no FGTS. Entretanto, o mercado de capitais brasileiros só levará o país para um capitalismo mais justo, se houver uma expansão considerável dos fundos institucionais, em outras palavras, fundos de pensão destinados a bancar a aposentadoria da população. Portanto caímos novamente na Reforma da Previdência, só que dessa vez eu vou mais além, pois não adianta só aumentar a idade para se aposentar, aumentar o valor da contribuição, medidas administrativas ( que o governo se ilude achando que resolverá o problema) e sim entrarmos na discussão de capitalizar o sistema previdenciário, ou seja, não ser mais o trabalhador na ativa que financie o aposentado, e sim que esse financiamento passe a vir, de todas as contribuições feitas por esse aposentado. Portanto a sociedade brasileira tem que decidir em qual dia ela pagará essa conta, e lembrando que quanto mais é postergado o pagamento, maior a probabilidade de darmos um calote nas gerações futuras, ou melhor, dizendo um Apagão de Futuro as futuras gerações.

01/02/2007

Euforia de carnaval!

A alegria com bons momentos não deve apagar de nossa consciência os riscos e as necessidades em um futuro menos favorável. O argumento parece óbvio, mas o Brasil age continuamente em desacordo com essa crença. Sempre que existe um problema a ser combatido decide-se sentar e esperar que as coisas melhorem. Porém, como isso não acontece, o problema acaba piorando e o remédio ficando mais amargo.

Essa conversa vale para a questão previdenciária e o corte de gastos públicos. Nesse PAC formulado pelo Governo eles consideram desnecessários cortes de despesas porque o crescimento da economia até 2010 fará aumentar a arrecadação, a inflação manter-se-a dentro da meta, os juros continuarão caindo até lá, a demanda externa por nossos produtos continuará aquecida , o déficit da previdência se estabilizará (o que nunca aconteceu), etc... Vocês acham mesmo que esse céu de brigadeiro vai durar para sempre? É plausível imaginar que a folia de carnaval dure mais de um certo período (mesmo o de salvador)?

Para mim, o grande problema é que, como diz o ditado, não há mal que perdure ou bem que sempre dure! E depois da folia, sempre vem a ressaca! E eu pergunto: quem vocês acham que vai pagar a conta de todos esses erros?