20/04/2007

Turbulências no vôo do Dragão!

A China mais uma vez surpreendeu o mundo com o seu resultado do PIB (Produto Interno Bruto) para o primeiro trimestre de 2007, ficando em 11,1 %. E esse resultado também superou as expectativas do governo, pois ele esperava que as suas medidas adotadas para diminuir a altitude com que o dragão vem voando já tivessem surtido efeitos na economia.
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Exemplos dessas medidas são: aumento da taxa de juros e, principalmente, da taxa de compulsório, que controla o quanto de moeda os bancos podem criar. Entretanto, além de mostrar a ineficácia das ações do governo, os dados sobre o PIB chinês vieram acompanhados da inflação para o mesmo período, de 3,3%, acima da meta de inflação que é de 3%.

Para nós brasileiros esse resultado parece bastante positivo, pois como estamos acostumados com expansões do PIB próximos a 3 % combinados a inflações na casa de 4% e somente num período muito recente, não há motivos para que, por exemplo, a bolsa de Xangai caia 4%, como ocorreu. Contudo a China vem crescendo nesses últimos anos na casa dos dois dígitos, sem em nenhum momento ter uma inflação mais alta.
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Assim esses dados são uma sinalização de mudança no cenário. Essa pode ser positiva para nós, porque os chineses terão que diminuir o seu nível de investimento impulsionado pela alta margem de lucro do país, e um meio para que isso ocorra é a valorização do Yuan, a moeda chinesa, que levará os produtos chineses ficarem mais caros no Brasil. Com isso, as nossas indústrias que vem sofrendo com a concorrência dos chineses, serão aliviadas e poderão, assim, se adaptarem melhor aos novos desafios globais. Portanto resta-nos saber qual será a ação do governo chinês a frente desse novo desafio.

04/04/2007

Devagar com o andor...

Firme e obstinado em minha luta para resgatar os bons e velhos ditados populares, não pude deixar este de lado quando resolvi falar sobre a falta de concorrência no setor bancário. Este é um dos grandes motivos para as exorbitantes taxas de juros que nós, tomadores de empréstimos, pagamos.

É por isso que o Governo vem se esforçando para aumentar a competição no setor. Os bancos federais já estão cumprindo sua parte, oferecendo taxas um pouco mais baixas do que as dos outros para seus clientes. O Planalto e o Banco Central também, aprovando as contas-salário, portabilidade de empréstimos (o indivíduo pode trocar de credor se encontrar melhores condições) e a possibilidade de transferências serem feitas diretamente do banco para o qual você quer mandar os seus recursos (antes era necessário ir no banco onde estavam os recursos).

Mas (sempre aparece um, já perceberam?), apesar de estar empenhado em equilibrar o jogo entre bancos e credores, as armas do Governo (antes que os mais exaltados se animem, é no sentido figurado) são pequenas. O próprio vice-presidente do Bradesco me disse, em um encontro da Apimec, que não está esquentando nem um pouco com isso. As diferenças das taxas de juros entre os grandes bancos são mínimas e a capilaridade de agências manterá a vantagem nas mãos dos grandes.

Ora, ora, no resumo da ópera (como diziam antigamente), antes que se animem, devo alertar (eis a parte mais aguardada por este autor): Devagar com o andor, que o santo é de barro!