Foi anunciado pela Gol à compra da "nova" Varig por US$320 milhões. Antes que se faça confusões a "nova" Varig é a parte operacional da antiga Varig, sendo, em tese, uma empresa que não está ligada ao passivo de R$7 bilhões de reais da antiga Varig. Assim sendo, a Gol acaba de adquirir uma empresa com o total de 17 aeronaves, e já tem planos para que num futuro próximo esse número se expanda para 34.
Contudo, o interesse principal da Gol nessa aquisição não é pela fatia de mercado correspondente a da Varig, que embarcou, em 2006, 763 mil passageiros, e sim nos slots que a Varig tem direito nos aeroportos internacionais como: Paris, Londres, Madri, Milão, Nova York e Miami. Estes apresentam um elevado grau de dificuldade para serem conseguidos, pois é necessário entrar numa fila de espera gigantesca, que torna praticamente impossível a atuação de novas empresas nesses aeroportos, num curto horizonte de tempo. Desse modo, com o direito de utilização desses espaços, a Gol passará a operar no mercado internacional de aviação utilizando o seu modelo de baixos custos, com o intuito de se proteger das flutuações do mercado interno.
Mas a compra da "nova" Varig apresenta um risco superior ao que se tem normalmente em aquisições de empresas. É que dívida da "velha" Varig passará para a "nova" Varig fazendo com que a Gol tenha que assumir um passivo de 7bilhões de reais, que consumirá a saúde da empresa. E para complicar ainda mais a situação, nós só saberemos se essa herança maldita vai ser repassada, quando o processo judicial de falência da "velha" Varig chegar ao seu fim. Assim, um novo fator de risco há que ser somado, a morosidade da nossa justiça.