09/03/2007

Taxa de Juros, a odiada do século...

Todo mundo sabe que a taxa de juros paga pelo Governo (a tão falada SELIC) é muito alta. Sempre foi, desde que o Plano Real foi implantado. Nos anos 2000, com o câmbio flutuante e o regime de metas de inflação, as taxas de juros passaram a ser usadas por dois motivos: para diminuir a atividade econômica quando houvesse risco de retorno da inflação e, de intenções não divulgadas, mas que todo mundo sabe, para valorizar o Real (câmbio valorizado tende a conter os aumentos de preços industriais e de serviços públicos privatizados).

A consequência disso era que os investidores estrangeiros, percebendo a diferença entre as elevadas taxas de juros brasileiras e as baixas taxas de juros internacionais, traziam seu dinheiro para cá. Esse excesso de dólares reduzia a taxa de câmbio e diminuia a inflação, já que incentivava a competição entre os produtos importados (que ficavam mais baratos) e os produtos brasileiros.

Uma vez com reais em mãos, os estrangeiros financiavam a imensa dívida do Setor Público (que é uma das causas dos altos juros cobrados ao setor privado) e investiam em ações (os estrangeiros estão entre os principais motivos para a valorização das ações nos últimos anos).

Só que, com grande saldo comercial e elevadas aplicações especulativas, o excesso de dólares está obrigando o Banco Central a comprar dólares para não ocorrer uma excessiva valorização do Real, o que levaria à ruína o setor exportador e as indústrias nacionais que não conseguem competir com a China, além de inviabilizar investimentos produtivos. Ao destruir lucros e empregos, afetando a parte mais sensível do corpo humano (o bolso), é que a SELIC se tornou a grande vilã nacional.

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