O regime comunista vem defendendo que seu país é livre e democrático, mas à maneira chinesa. O regime político, bem como questões de direitos humanos, são assuntos internos e dependem da cultura nacional. A democracia liberal seria apenas o modelo vigente na Europa, América e partes da África.
Ocidentais e dissidentes enxergam, nas entrelinhas desse debate, a tentativa chinesa de legitimar o seu regime e justificar o contato com outros regimes não-democráticos. Vozes se ergueram sobre o que seria o Consenso de Beijing: Não interessa o sistema político, isso é assunto interno (e ponto final)... Vamos aos negócios! Esse consenso ganharia adeptos em linha com a ascensão econômica e militar chinesa.
Essa postura esvazia algumas estratégias ocidentais, que costumam exigir liberdade e democracia para formar alianças econômicas. Situações embaraçosas podem ser vistas no Sudão, Mianmar e Sri Lanka. Claro, não sejamos bobos: As exigências liberais do Ocidente costumam variar de acordo com a necessidade e interesse - e se concentram, quase sempre, na área econômica.
Mas a tempestade árabe que se alastra pelo norte da África e Oriente Médio pode trazer a balança do debate para o lado dos universalistas: As revoltas não abominam tradições e costumes locais (religião, língua, forma de estado e governo, etc.), pedem apenas liberdade de expressão, opinião e associação (política, inclusive). Eles querem o direito de participar do governo e das decisões públicas, e não anexar os seus países à Europa e América.
Nessas regiões, os jovens e outros oposicionistas tentam firmar a democracia como um valor tão importante como os demais. Se vai funcionar, ainda é incerto, mas que é empolgante, disso não tenho dúvida!