Buenos Aires é um dos destinos prediletos dos turistas brasileiros. Só nesse ano são esperados cerca de 500.000 tupiniquins na capital portenha. Quando visitei a cidade durante o meu mochilão, esbarrei com conterrâneos em todos os cantos da cidade, sendo até desnecessário falar espanhol.
Mas a riqueza e a glória que tornaram a Argentina um lugar tão belo e instrutivo para se conhecer não existe mais. Aquele que foi um dos países mais ricos do mundo pré-1914, praticamente uma nação europeia em pleno Rio da Prata, não existe mais. Sucumbiu às suas raízes ibéricas e latino-americanas.
Raízes que se fizeram notar na concentração agrária, na violência rural, na famosa e visceral instabilidade política, na dependência britânica e depois norte-americana, no foco excessivo em agro-exportação e consequente desprezo pela industrialização.
Não que a história brasileira esteja livre destes males. Longe disso. Mas a elite brasileira é mais homogênea e conservadora, cautelosa e desconfiada de radicalismos do que sempre foi a sua congênere argentina. Mesmo o Brasil excluído, quando lutou por suas reinvindicações, o fez de forma cautelosa e muitas vezes contida. Prestes, um comunista com armas e patente de oficial, jamais teve o apoio que o o pragmático e focado sindicalista Lula conquistaria anos depois. Modernização sim, mas sempre de forma lenta, calculada e gradual. Aliás, tudo ao melhor estilo português (viva João VI).
O histórico argentino é marcado por reviravoltas dramáticas e infelizmente constantes na política econômica e externa, ocorridas a cada troca de governo (nem sempre dentro da lei) e que custaram caro ao país. Como exemplo, basta observar o neoliberal, gastador e pró-EUA apaixonado Menem e o heterodoxo, estatista e anti-EUA ferrenho casal Kirchner. Cada um deles foi fundo em uma doutrina e, a seu modo, só fizeram afundar ainda mais o país.
Essa instabilidade atrofiou a economia, lançou aos ventos a poupança passada e preencheu com incerteza o presente e o futuro do país. O sétimo país mais rico do mundo (ao lado dos europeus) tornou-se apenas a terceira maior economia latino-americana.
E o pior é que o atual Governo parece não ter percebido isso até agora. Aguardem os próximos capítulos...
Um comentário:
Simplesmente perfeito! A Argentina, na erupção do Peronismo, optou por um modelo populista ao invés de utilizar seus recursos públicos em um projeto de industrialização. Eles teriam tudo para se tornar uma liderança econômica e política na região, mas, hoje, o que vemos, é uma nação administrada por pelegos pró-Chavez... triste!
Abraço meus amigos!
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