22/08/2007

Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!!!

A histeria coletiva das últimas semanas, em que a certeza da liquidez internacional e de um período ainda longo de crescimento econômico se transfigurou para um cenário de fim do mundo, levantou diversas dúvidas sobre os emergentes, entre eles o Brasil.

Não precisa ser muito velho para se lembrar das diversas crises que sacudiram o Brasil na década de 1990. Apesar de desta vez a confusão não ter surgido no mundo em desenvolvimento, o fato de os Estados Unidos, ponto central do sistema, estar em maus lençóis não permite muito alívio.

Mas vamos ao que interessa: a política monetária, e consequentemente a economia nacional, acompanharão os americanos nessa espécie de excursão ao fundo do poço?

Apesar dos saculejos da Bovespa e da alta monstro do dólar, eu penso que não. A inflação bem abaixo da meta, as altas reservas internacionais e a taxa de juros ainda acima de onde poderia estar são um excelente colchão. Outro fator importante é que o crescimento econômico está voltado ao mercado interno. Essa alta do dólar encarece os importados e atrapalha o seu uso como combate a inflação, mas esta ainda pode crescer bastante sem comprometer a meta. Além do mais, a crise internacional, se vingar mesmo, diminui as exportações e as cotações de alimentos e minérios, deslocando para o mercado interno uma maior parcela da produção e menores preços.

Enfim, que essa crise ainda vai dar muito pano pra manga, todo economista já espera. Mas que nem todos vão sofrer o mesmo, isso também já se percebe. Pode-se dizer que finalmente chegou a nossa vez de assistir crises de, senão no camarote (como anuncia o ministro Mantega), pelo menos com abadá. Resumindo: entre mortos e feridos, salvaram-se todos! Pelo menos os brasileiros!

11/05/2007

Será o Fim do Mundo?

Durante essa semana duas notícias me incomodaram. A primeira é em relação ao Investment Grade que cada dia que passa torna-se em algo mais tangível ao país. A novidade é que não é só o mercado, através do risco país, que pensa que estamos perto desse tão sonhado dia. A Fitch Rating elevou a nota de risco do Brasil para BB+, assim sendo, com mais uma elevação, o país se tornará um porto seguro para o capital dos velinhos ricos da parte de cima do globo.

A segunda noticia é em relação a OCDE. O grupinho dos países desenvolvidos do mundo vai formalizar um convite para o Brasil se integrar à organização. Isso mesmo, estão nos chamando para entrar no "mundo desenvolvido".

Para uma pessoa que tem um mínimo de percepção do que está ao seu entorno, após saber disso (na pior das hipóteses), está com uma pergunta na cabeça: Como isso pode estar acontecendo, se praticamente nada mudou significativamente nesse país?

Realmente é algo inquietante refletir sobre isso, quando os nossos problemas de país subdesenvolvido saltam aos nossos olhos a cada instante, dando até a impressão que se intensificaram com o passar do tempo.

Contudo, essas novas realidades anunciadas - que pareciam mais como profecias, pois só seriam prováveis de acontecer se o mundo acabasse - mostram que o Brasil está no caminho certo e que com um “jeitinho brasileiro” sério teremos uma verdadeira Ordem e Progresso.

20/04/2007

Turbulências no vôo do Dragão!

A China mais uma vez surpreendeu o mundo com o seu resultado do PIB (Produto Interno Bruto) para o primeiro trimestre de 2007, ficando em 11,1 %. E esse resultado também superou as expectativas do governo, pois ele esperava que as suas medidas adotadas para diminuir a altitude com que o dragão vem voando já tivessem surtido efeitos na economia.
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Exemplos dessas medidas são: aumento da taxa de juros e, principalmente, da taxa de compulsório, que controla o quanto de moeda os bancos podem criar. Entretanto, além de mostrar a ineficácia das ações do governo, os dados sobre o PIB chinês vieram acompanhados da inflação para o mesmo período, de 3,3%, acima da meta de inflação que é de 3%.

Para nós brasileiros esse resultado parece bastante positivo, pois como estamos acostumados com expansões do PIB próximos a 3 % combinados a inflações na casa de 4% e somente num período muito recente, não há motivos para que, por exemplo, a bolsa de Xangai caia 4%, como ocorreu. Contudo a China vem crescendo nesses últimos anos na casa dos dois dígitos, sem em nenhum momento ter uma inflação mais alta.
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Assim esses dados são uma sinalização de mudança no cenário. Essa pode ser positiva para nós, porque os chineses terão que diminuir o seu nível de investimento impulsionado pela alta margem de lucro do país, e um meio para que isso ocorra é a valorização do Yuan, a moeda chinesa, que levará os produtos chineses ficarem mais caros no Brasil. Com isso, as nossas indústrias que vem sofrendo com a concorrência dos chineses, serão aliviadas e poderão, assim, se adaptarem melhor aos novos desafios globais. Portanto resta-nos saber qual será a ação do governo chinês a frente desse novo desafio.

04/04/2007

Devagar com o andor...

Firme e obstinado em minha luta para resgatar os bons e velhos ditados populares, não pude deixar este de lado quando resolvi falar sobre a falta de concorrência no setor bancário. Este é um dos grandes motivos para as exorbitantes taxas de juros que nós, tomadores de empréstimos, pagamos.

É por isso que o Governo vem se esforçando para aumentar a competição no setor. Os bancos federais já estão cumprindo sua parte, oferecendo taxas um pouco mais baixas do que as dos outros para seus clientes. O Planalto e o Banco Central também, aprovando as contas-salário, portabilidade de empréstimos (o indivíduo pode trocar de credor se encontrar melhores condições) e a possibilidade de transferências serem feitas diretamente do banco para o qual você quer mandar os seus recursos (antes era necessário ir no banco onde estavam os recursos).

Mas (sempre aparece um, já perceberam?), apesar de estar empenhado em equilibrar o jogo entre bancos e credores, as armas do Governo (antes que os mais exaltados se animem, é no sentido figurado) são pequenas. O próprio vice-presidente do Bradesco me disse, em um encontro da Apimec, que não está esquentando nem um pouco com isso. As diferenças das taxas de juros entre os grandes bancos são mínimas e a capilaridade de agências manterá a vantagem nas mãos dos grandes.

Ora, ora, no resumo da ópera (como diziam antigamente), antes que se animem, devo alertar (eis a parte mais aguardada por este autor): Devagar com o andor, que o santo é de barro!

30/03/2007

Será o Fim da Novela da Varig?

Foi anunciado pela Gol à compra da "nova" Varig por US$320 milhões. Antes que se faça confusões a "nova" Varig é a parte operacional da antiga Varig, sendo, em tese, uma empresa que não está ligada ao passivo de R$7 bilhões de reais da antiga Varig. Assim sendo, a Gol acaba de adquirir uma empresa com o total de 17 aeronaves, e já tem planos para que num futuro próximo esse número se expanda para 34.


Contudo, o interesse principal da Gol nessa aquisição não é pela fatia de mercado correspondente a da Varig, que embarcou, em 2006, 763 mil passageiros, e sim nos slots que a Varig tem direito nos aeroportos internacionais como: Paris, Londres, Madri, Milão, Nova York e Miami. Estes apresentam um elevado grau de dificuldade para serem conseguidos, pois é necessário entrar numa fila de espera gigantesca, que torna praticamente impossível a atuação de novas empresas nesses aeroportos, num curto horizonte de tempo. Desse modo, com o direito de utilização desses espaços, a Gol passará a operar no mercado internacional de aviação utilizando o seu modelo de baixos custos, com o intuito de se proteger das flutuações do mercado interno.


Mas a compra da "nova" Varig apresenta um risco superior ao que se tem normalmente em aquisições de empresas. É que dívida da "velha" Varig passará para a "nova" Varig fazendo com que a Gol tenha que assumir um passivo de 7bilhões de reais, que consumirá a saúde da empresa. E para complicar ainda mais a situação, nós só saberemos se essa herança maldita vai ser repassada, quando o processo judicial de falência da "velha" Varig chegar ao seu fim. Assim, um novo fator de risco há que ser somado, a morosidade da nossa justiça.

28/03/2007

Em terra de cego, quem tem um olho é rei!

Seguindo a série " ditados populares", hoje eu vou falar da relação de ódio carnal entre o Banco Central e os políticos (pelo menos os do Palácio do Planalto e do Congresso).

Toda vez que alguém critica o Banco Central de covarde, neoliberal e contrário ao desenvolvmento nacional (não se assustem, a discussão em Brasíla é nesse nível mesmo!), o Henrique Meireles responde afirmando que não pode acelerar a queda dos juros por causa do efeito defasado dos cortes anteriores (que são imprevisíveis) e do aumento dos gastos públicos.

Mas ele não está totalmente certo. Esses são mesmo fatores que aumentam a demanda agregada, mas manter os juros altos não vai fazer o Governo economizar. Além disso, a baixa cotação do dólar e o imenso superávit comercial ajudam a manter a estabilidade de preços no mercado interno através da concorrência entre produtos importados e nacionais. É muito importante lembrar que a queda dos juros ajudariam a evitar a continuação da queda do dólar, que já prejudica o setor exportador e vem gerando dificuldades ao Banco Central.

Por outro lado, a retórica de defensores do desenvolvimento por nossos evoluídos e desapegados políticos, esconde uma carta na manga (isso pra não dizer outras coisas...). É verdade que os altos juros representam um pesado gasto para o Governo e o investimento público é mínimo. É correto considerar os juros como um intrave ao investimento privado. Mas a criação de um sistema regulatório completo e com agências fiscalizadoras eficientes abriria ao capital privado (que aliás, está ávido por esse momento) o setor de saneamento, infra-estrutura de transportes e geração de energia. Uma melhoria nos gastos públicos que levassem à maior eficiência e eficácia também ajudaria muito o investimento público. E uma reforma tributária verdadeiramente simplificadora diminuiria o segundo maior inibidor de investimentos no Brasil, que é a caríssima e monstruosa carga tributária.

O Banco Central pode estar agindo de forma equivocada. Mas no final das contas, o que podemos enxergar é a velha paixão política brasileira de empurrar para os outros todas as dificuldades enquanto se lava as mãos de suas próprias responsabilidades.

Havia uma infinidade de opções que facilitariam e estimulariam o investimento público e privado, mas não são fáceis. Elas exigem que os políticos brasileiros percam seu preconceito contra o capital (e o lucro) e aceitem diminuir a máquina pública (tão fundamental aos seus interesses financeiros e eletorais).

Mas, enquanto ninguém em Brasília consegue enxergar o absurdo desse tiroteio entre míopes, nada é mais valioso do que o velho e sábio ditado popular: Em terra de cego, quem tem UM olho é rei!

23/03/2007

Descompasso entre Chávez e a População

A Venezuela hoje passa por uma situação no mínimo, curiosa. Pois o seu presidente Hugo Chávez, sentado em petrodólares já anunciou a sua intenção de transformar a Venezuela no primeiro país a adotar o socialismo do séc. XXI, nomenclatura criada por ele, e que já vem ganhando adeptos na America Latina.

Assim, em busca de sua causa, Chávez faz discursos inflamados contra o capitalismo, contra a cultura do consumismo, e também, contra o melhor representante do sistema, os Estados Unidos.

Até esse momento, nada mais previsível do que uma retórica populista sul-americana, que nós brasileiros já estamos acostumados de ver. Entretanto o que torna a situação da Venezuela curiosa é como que a população tem reagido ao discurso de seu presidente. Dados estatísticos mostram que os venezuelanos pouco se importam com o que diz Chávez. Eles não abandonaram o consumismo (como ele prega) e sim o intensificaram. Para se ter uma idéia, o consumo de carros aumentou 50% em 2006, a quantidade de implantes de seios aumentou em 80% e o volume de empréstimos cresceu 118%.

Agora vamos ver se Chávez consegue vender o seu socialismo não só para índios bolivianos, mas também para os seus compatriotas.

21/03/2007

Melhor um pássaro na mão do que dois voando!

Aproveitando o título do texto anterior, vou continuar seguindo a boa e velha sabedoria popular. Utilizável em quase tudo, inclusive para se falar em economia.

Quando um banco quer emprestar dinheiro, a primeira coisa que ele tem de fazer é reunir recursos dos clientes (captação de aplicações) ou do mercado (de outros bancos ou investidores). A taxa que ele paga (em geral próxima a taxa CDI, que em outra ocasião eu explico o que é) chama-se custo de captação e é determinada no Mercado Financeiro.

A diferença entre a taxa de juros cobrada dos devedores e o custo de captação, conhecida como spread, é determinada por diversos fatores, medidos dentro de cada Banco. Os custos (funcionários, material, cobrança, etc.), o risco de inadimplência e o lucro do Banco são os principais.

Quando lançaram o crédito consignado, o Governo Federal o anunciou como uma grande medida para melhorar a situação dos tomadores de empréstimos. De fato, para quem pagava mais de 5% ao mês a taxa passar para 2% é uma grande vitória.

E todos acham que ganharam. Doce, porém mentirosa, ilusão. Ao contrário do que se poderia esperar, os spreads caíram muito pouco. A diminuição do risco e dos custos para o Banco compensaram em grande parte a diminuição das taxas cobradas. Além disso, a redução da SELIC desde setembro de 2005 reduziu o custo de captação (ela é um dos parâmetros que definem a Taxa CDI) dos bancos. Ou seja, dizem que os consumidores ganharam. Mas foram os lucros bancários que aumentaram ainda mais.

Mesmo assim, vale o ditado: melhor ter um passarinho na mão, dos que dois voando.

09/03/2007

Taxa de Juros, a odiada do século...

Todo mundo sabe que a taxa de juros paga pelo Governo (a tão falada SELIC) é muito alta. Sempre foi, desde que o Plano Real foi implantado. Nos anos 2000, com o câmbio flutuante e o regime de metas de inflação, as taxas de juros passaram a ser usadas por dois motivos: para diminuir a atividade econômica quando houvesse risco de retorno da inflação e, de intenções não divulgadas, mas que todo mundo sabe, para valorizar o Real (câmbio valorizado tende a conter os aumentos de preços industriais e de serviços públicos privatizados).

A consequência disso era que os investidores estrangeiros, percebendo a diferença entre as elevadas taxas de juros brasileiras e as baixas taxas de juros internacionais, traziam seu dinheiro para cá. Esse excesso de dólares reduzia a taxa de câmbio e diminuia a inflação, já que incentivava a competição entre os produtos importados (que ficavam mais baratos) e os produtos brasileiros.

Uma vez com reais em mãos, os estrangeiros financiavam a imensa dívida do Setor Público (que é uma das causas dos altos juros cobrados ao setor privado) e investiam em ações (os estrangeiros estão entre os principais motivos para a valorização das ações nos últimos anos).

Só que, com grande saldo comercial e elevadas aplicações especulativas, o excesso de dólares está obrigando o Banco Central a comprar dólares para não ocorrer uma excessiva valorização do Real, o que levaria à ruína o setor exportador e as indústrias nacionais que não conseguem competir com a China, além de inviabilizar investimentos produtivos. Ao destruir lucros e empregos, afetando a parte mais sensível do corpo humano (o bolso), é que a SELIC se tornou a grande vilã nacional.

06/02/2007

Romance entre Lula e Morales.

Para quem achava que essa história havia chegado ao fim, ou que não haveria nenhum novo fato, pode ter se enganado. Afinal o companheiro Evo Morales, vem ao Brasil nesse dia 12, cobrar de Lula um "preço- político" para o gás importado pelo país. Esse novo discurso do boliviano surgiu numa conjuntura onde internamente ele está sendo bombardeado pelos bolivianos. Principalmente por ter conseguido nacionalizar o gás, gerando recursos para o Estado, e sem nenhum ganho para a população ate o momento, a não ser uma preocupação entorno ao desabastecimento de gás na Bolívia. Que necessita de grandes investimentos para conseguir suprir os mercados argentino, brasileiro e o próprio boliviano. Esse é o motivo que levou a Morales a exigir um preço maior para o gás pago pelo Brasil, para que, desse modo, o governo boliviano consiga recursos suficientes para suprir a demanda por investimentos que o país necessita.

Apesar de todas as criticas sofridas por Lula em relação a uma complacência perante a nacionalização do gás na Bolívia, que significou em prejuízos para a estatal Petrobrás. O governo conseguiu administrar essa situação complicada com maestria, que pode ser observada no novo contrato assinado pela petrolífera brasileira, que foi, nitidamente, o melhor contrato assinado em relação às empresas de outros países. Essa habilidade do governo, em contornar a crise, foi também vista em relação ao preço do gás. Pois nesse caso o governo brasileiro nunca cedeu às pressões de discutir esse problema através dos chefes de Estado, ou seja, ter uma discussão política sobre o tema, ele agiu exatamente ao contrário, pois ele foi bastante firme para que essa discussão fosse embasada em fundamentos técnicos.

Assim essa tentativa de Morales, em mudar o final desse livro, pode acabar sendo, na verdade, o ultimo grito de um derrotado, pois o Lula conseguiu administrar essa crise sem causar muitos custos ao povo brasileiro. E ao mesmo tempo mostrou não estar alinhando com essa nova onda esquerdista ultrapassada, que assombra a America Latina do século XXI. Essa distinção mais nítida entre as duas Américas Latinas podem gerar um romance com um final feliz para o Brasil e trágico para os nossos hermanos que foram possuídos por esse espírito.

04/02/2007

Mais quantas oportunidade serão perdidas ?

Seguindo a linha das duas primeiras postagens, o PAC perde uma grande oportunidade de ampliar a mudança que o país está passando. Porque hoje no Brasil se têm um movimento em torno de um menor nível de bancarização no país, ou seja, uma menor dependência dos bancos, e de suas altíssimas taxas de juros, que não caem nem por ordem divina. Par um modelo aonde o mercado de capitais é o grande combustível da economia.

A perda de mais uma oportunidade está correlacionada ao momento do Mercado de Capitais brasileiros, nunca se viu tanto em nosso país, novas empresas entrando na Bolsa de Valores e empresas utilizando do mecanismo de emissão de títulos, para financiar investimentos, ao invés de se sujeitar as altas taxas dos bancos. Mostrando que o empresário brasileiro, estão se cada vez mais dinâmicos e dispostos a fazer com que o país passe para a nova forma do capitalismo, que vem sendo chamado internacionalmente de capitalismo civil, aonde os trabalhadores possuem os meios de produção, como diria Marx, ou melhor, dizendo, as pessoas são ao mesmo tempo funcionários e donos da empresa.

O PAC do nosso governo contribuiu, timidamente, com a criação de um fundo de investimentos para infra-estrutura com origem no FGTS. Entretanto, o mercado de capitais brasileiros só levará o país para um capitalismo mais justo, se houver uma expansão considerável dos fundos institucionais, em outras palavras, fundos de pensão destinados a bancar a aposentadoria da população. Portanto caímos novamente na Reforma da Previdência, só que dessa vez eu vou mais além, pois não adianta só aumentar a idade para se aposentar, aumentar o valor da contribuição, medidas administrativas ( que o governo se ilude achando que resolverá o problema) e sim entrarmos na discussão de capitalizar o sistema previdenciário, ou seja, não ser mais o trabalhador na ativa que financie o aposentado, e sim que esse financiamento passe a vir, de todas as contribuições feitas por esse aposentado. Portanto a sociedade brasileira tem que decidir em qual dia ela pagará essa conta, e lembrando que quanto mais é postergado o pagamento, maior a probabilidade de darmos um calote nas gerações futuras, ou melhor, dizendo um Apagão de Futuro as futuras gerações.

01/02/2007

Euforia de carnaval!

A alegria com bons momentos não deve apagar de nossa consciência os riscos e as necessidades em um futuro menos favorável. O argumento parece óbvio, mas o Brasil age continuamente em desacordo com essa crença. Sempre que existe um problema a ser combatido decide-se sentar e esperar que as coisas melhorem. Porém, como isso não acontece, o problema acaba piorando e o remédio ficando mais amargo.

Essa conversa vale para a questão previdenciária e o corte de gastos públicos. Nesse PAC formulado pelo Governo eles consideram desnecessários cortes de despesas porque o crescimento da economia até 2010 fará aumentar a arrecadação, a inflação manter-se-a dentro da meta, os juros continuarão caindo até lá, a demanda externa por nossos produtos continuará aquecida , o déficit da previdência se estabilizará (o que nunca aconteceu), etc... Vocês acham mesmo que esse céu de brigadeiro vai durar para sempre? É plausível imaginar que a folia de carnaval dure mais de um certo período (mesmo o de salvador)?

Para mim, o grande problema é que, como diz o ditado, não há mal que perdure ou bem que sempre dure! E depois da folia, sempre vem a ressaca! E eu pergunto: quem vocês acham que vai pagar a conta de todos esses erros?

31/01/2007

Novela mexicana ou tragédia grega?

Todo começo de mandato é a mesma lenga-lenga: o Governo Federal assume falando da necessidade de reformas constitucionais, como a tributária. Essa é uma das coisas que só fazem sentido no Brasil: a Constituição mal tinha sido promulgada e já era necessário reformá-la. O nosso sistema fiscal é muito centralizado para um país que se diz federalista. Nossos estados são administradores ruins demais pra ficarem resmungando por mais recursos e direitos. A porcaria da reforma em votação no Congresso não resolve nada, simplifica o mais simples enquanto dificulta o que já é complicado. O que seria de nós, pobres contribuintes, sem esses nossos brilhantes e esforçados políticos?

Pois é, dessa vez as discussões começaram quentes. A briga pelos recursos fiscais está no mesmo nível da disputa envolvendo a herança daquele ganhador da Mega-Sena, ou pior! Já que ninguém quer ajustar as contas cortando despesas (já pensou se todo mundo pra pagar suas contas pudesse simplesmente aumentar seus ganhos?) todos estão ávidos por nosso suado dinheirinho.

O pior de tudo é que enquanto essa briga de lavadeiras não chega ao fim, ninguém faz nada para melhorar um sistema tributário composto por mais de 60 taxas, impostos e contribuições regidos pelas mais diversas legislações divididas pelas três esferas que não se entendem! Então me digam: está mais pra novela mexicana ou tragédia grega?