10/02/2011

Começamos a política fiscal com o pé direito.

Nunca pensei que o meu primeiro post no Liberalis Dextra, que é um blog formado por três economistas com visões liberais e a direita do espectro político, fosse uma contestação positiva de um governo suposto de esquerda, e que foi eleito pelos votos da base da pirâmide social, a contra gosto da dita classe média.

E qual o motivo deste improvável título para este blog?

Essa seguinte matéria de capa do Valor Econômico de hoje Cortes indicam queda real de 2,6% na despesa | Valor Online 

Com isso o dia de ontem se aponta com um momento histórico da política fiscal sobre o comando do PT, pela primeira vez, as políticas fiscais e monetárias andaram de mão dadas. (Até que enfim!). Com isso a sinalização que o governo de Dilma está dando é bem clara, estamos preocupados com inflação e queremos que os esforços do Banco Central sejam minimizados, ou seja, uma salva de palmas ao pragmatismo.

E algo muito importante, os cortes vão ser feitos em áreas bastante sensíveis ao funcionalismo público, porque serão feitos em grande parte no custeio, onde há grande oportunidade de economia, como já pude presenciar em projetos de gestão em governos estaduais, e que demandam mudança de cultura das pessoas envolvidas e uma saída da sua zona de conforto. E o interessante é que não só os atuais funcionários públicos, como os futuros vão sofrer o impacto desta inflexão, pois todos os concursos e nomeações estão suspensos para esse ano, enfim acabou a era da bonança para os concurseiros, mas não fique desesperado, o funcionalismo só vai parar de crescer, mas ainda vai ser necessária a reposição dos que se aposentaram.

Isto me lembra das minhas discussões calorosas na época da eleição, que ouvi de várias pessoas que iriam votar na Dilma, porque ela iria manter os concursos e o Serra iria corta-los, doce ilusão, ações bruscas como essa (cortar concursos) não iriam acontecer do nada, e sim devido a uma variedade de causas que embasariam essa medida, independente de quem fosse o governante. 

E por fim outra área crítica é as emendas parlamentares, e nessa eu deixo uma pergunta, como um "poste" vai saciar a ânsia de poder dos nossos deputados?

2 comentários:

Saulo Franco disse...

Olá Fraga,
Finalmente o PT (quem diria) casou medidas de austeridade nas políticas fiscais e monetárias. Mas dentre as medidas que mais me agradaram, foram os cortes com Diárias e Passagens. A única coisa que lamento, no momento, é o fanatismo da população pelo PT/Lula, pois tenho certeza que se fosse o Serra a adotar tais medidas, a população iria hostilizar o PSDB como "o partido da elite contra o povo"... Mas como é o PT, a população julga que os cortes são necessários. Tenho visto isso na UFJF.

Abraço,
Saulo

Rafael Cury disse...

A política fiscal pode ter começado com o pé direito, mas o ministro é esquerdo! Apesar do meu trocadilho, o assunto é sério: O Mantega vai mesmo cumprir o que promete? O anúncio é positivo, mas parece mais uma carta de intenções do que navalha na carne! Ainda mais vindo de um ministro tão desacreditado fora do cenário político! A Dilma é exigente e disciplinada, deveria ter colocado o Meirelles! Estaria mais afinado com o novo discurso e desafio! E viva a realidade! E os realistas também!