Entre as causas pelas quais as ditaduras árabes se mantiveram firmes, além da repressão brutal, foi o apoio ocidental (que julgava-os preferíveis à jihadistas) e a formação de Estados Rentistas. Os recursos do petróleo, controlados pelo Estado, dispensavam uma grande tributação e permitiam benesses para aplacar os ânimos da população. Isso não funciona mais no Egito e Líbia, e cada vez mais parece não funcionar na nossa vizinha Venezuela.
O socialismo bolivariano, implantado lá pelo também Coronel Chávez (como Kaddafi), destruiu a iniciativa privada e comprometeu seriamente as finanças das estatais, que operam de forma cada vez mais precária. A não ser que o preço do petróleo mantenha-se elevado por tempo indeterminado, um calote da dívida externa é possível após 2012.
Mas e aí? Se a sorte não ajudar, a situação, já ruim, irá sim piorar. A escassez generalizada de eletricidade e de outros produtos, um problema corriqueiro no país, somados à bancarrota do Estado e da PDVSA (a petrolífera, guardiã da riqueza que carrega o país nas costas), pode conduzir a manifestações e revoltas populares similares às que hoje se erguem no norte da África.
Mas 2012 é também o ano da eleição presidencial. Estará Chavez guardando recursos para esbanjar em ano eleitoral, ou irá simplesmente apressar a bancarrota para se manter no poder? Se ele perder, vai embora como Mubarak, ou seguirá os passos de seu amigo Kaddafi? Mas e se não perder? O que fará para arrumar a bagunça?
Nesses tempos em que os coronéis do petróleo já não são tão fortes como antigamente, essas perguntas são pavorosas: Barris furados de petróleo podem ser tão explosivos como os de pólvora que vemos em desenhos animados, mas não tem nada de engraçado. Principalmente quando explodem na esquina da sua casa!
Um comentário:
Caro Cury, infelizmente, a distância entre o fundamentalismo árabe e o populismo sulamericano são pequenas. Eu rezo a Deus para que uma nova fonte de energia, viável e barata seja descoberta, pois, só assim estes "barris" serão esvaziados, e, consequentemente, a verdadeira democracia poderá triunfar...saudações!
PS: Desculpe a demora, estava em viagem
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