Na última quinta-feira, dia 03 de março, cheguei em casa, tomei um banho e fui assistir o Jornal Nacional. Como primeira notícia, foi anunciado o crescimento da economia em 2010: 7,5% (melhor resultado desde 1986). Mas o que achei mais interessante, foi a imprensa não se deixar enganar: ressaltou a queda no PIB em 2009 (o que facilita, matematicamente, um crescimento robusto no período seguinte) e fez uma reportagem sobre o Porto de Paranaguá, onde a soja brasileira embarca para abastecer asiáticos e europeus. De acordo com as imagens e relatos de caminhoneiros, a situação no porto é caótica. Por terra, há uma fila interminável de caminhões na estrada, no pátio e no cais; e por mar, há uma fila de navios graneleiros (!) esperando a oportunidade de atracar. Os administradores disseram que obras para a construção de armazéns estão em andamento, e ressaltaram o aumento da produção agrícola nos últimos, que traz á tona os desafios de infra-estrutura. Concordo, claro. O que me choca é ter visto uma reportagem semelhante em 2004 e observar que o caos continua. Mas estas reportagens incentivam comentários pontuais:
1) Nos últimos anos, em alguns pontos, o Brasil tem se preparado para crescer. Nossas missões comerciais, nos últimos 16 anos, desbravaram alguns mercados; Conquistamos, a um custo enorme, a estabilidade monetária (que pode estar ameaçada); Nossa população está ávida para se capacitar e progredir financeiramente; Nossas empresas buscam a modernização e a conquista de mercados; O consumo das famílias tem aumentado; Nossa agricultura observou progressos consideráveis em termos de produção e pesquisa. Obviamente, isto pressiona, em termos de infra-estrutura, um Estado que assumiu compromissos sociais consideráveis e uma nação oriunda de uma década perdida e desafios intermináveis.
2) Apesar das citadas conquistas, nosso sistema tributário é um monstro, nosso setor público é pesado, a educação pública é uma das piores do mundo e carecemos de uma reforma política e uma mentalidade empreendedora, que privilegie o mercado e abandone a cultura do coitado. A administração do PT lançou o PAC 1 e o PAC 2, assumiu o desafio de organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada e se gaba de patrocinar uma "revolução socioeconômica", mas, o que se vê é a total falta de comprometimento com ajustes fiscais, planejamento, reformas, parcerias público-privadas, privatizações e investimentos em infra-estrutura. O "corte" de Gastos da administração Dilma é apenas um "aumento menor" do dispêndio público, e o governo não sinaliza quais serão as medidas de austeridade nos próximos anos.
3) Como os Gastos Públicos avançaram significativamente no fim do governo Lula e a capacidade instalada não expandiu em diversos setores, os preços aumentam. Diante das incertezas que o governo promove, a redução de credibilidade ameaça conquistas anteriores.
4) Quanto aos grandes eventos esportivos de 2014 (amanhã) e 2016, parte da obra do Maracanã foi embargada pelo TCU. Obras são licitadas apenas com o projeto básico, e, aereoportos, continuam deficientes. A CHANCE DE UM VEXAME INTERNACIONAL, EM GRANDE ESCALA, É GRANDE.
Por fim, como um economista cético e frio que aparece em telejornais, digo: não há motivos para comemorar o "Pibão". Há motivos é para se preocupar com o Gigante deitado enternamente em Berço Esplêndido.
Um comentário:
Vc está certo Saulo: ao invés de culpar os americanos por tudo e fazer da propaganda a única ação real do Governo, a administração petista deveria lembrar dos compromissos que assumiu e trabalhar por eles. Eles tem pavor de privatização, mas não investem um centavo! Só gasto, gasto e imposto! Não será com papo furado e encostados nas esplêndidas cadeiras de Brasília que o nosso país entrará para o clube dos desenvolvidos!
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